quinta-feira, 27 de agosto de 2015

27 de agosto de 2015

Querida mô,

Eu gostaria muito de escrever algo que fosse só nosso, algo que seja tão místico que as letras se embaralhassem a cada leitura, dessa forma surgiriam novas palavras, novas frases, quem sabe às vezes até palavras que nenhum idioma existente ou que já existiu sobre este planeta poderia traduzir, no caso em tela o tradutor seria seu coração. Toda vez que você parasse para ler esse “algo”, essa carta, apelo ou desabafo, chame como achar melhor, nossos corpos estariam se comunicando, como se o clamor de um pelo outro fosse ouvido em qualquer lugar, onde quer que esteja essa carta seria tão mágica quanto nosso amor. Poderíamos pregá-la nos postes pela rua e publicá-la no jornal da cidade, assim todos que estiverem na mesma situação iriam comungar da mesma magia, o único requisito para conseguir ler e interpretar essa carta é estar morrendo de amor.
Inspira, fecha os olhos, solta devagar, concentra na respiração.  Não amor, eu não estou treinando a minha paciência como você me ensinou contando até mil, dez mil... Esse é o mantra do elefante indiano, mas já parei, não está sendo tão eficaz. Já procurei na medicina alternativa também e não encontrei uma cura. Dito isto, não vou nem perder meu precioso tempo de solidão pesquisando um método cientificamente comprovado para me curar dessa “coisa”, pois sei que também será uma busca frustrada e, portanto, ineficaz. Afinal de contas, que efeitos teriam esses procedimentos se sofro de saudade?! É um vazio aqui dentro, uma dor que não some com mantras indianos ou técnicas de ioga, se fosse um câncer eu sei que teria chance, mas não é. É um vazio, e vazio se cura preenchendo. É como se longe de você minha alma estivesse em um estado de vacância, esperando sua volta, o reencontro, o sorriso, o beijo, seu beijo.
O vazio da saudade deve ser preenchido com presença, mas não é tão simples, queria eu que fosse, deve ser preenchido com a sua presença. Deixe-me explicar da forma que eu melhor sei fazer, falando coisas sem pé nem cabeça, se eu não for feliz na explicação que você dê pelo menos um sorrisinho daqueles que iluminam meu mundo. Quando estou com fome, não me serve um copo d’água, da mesma forma se o que me incomoda é a sede, parece-me razoável que ela seja assassinada com um copo extremamente cheio de água potável, ou quem sabe uma limonada, mas não um pedaço de pão, por mais que este pão esteja recheado com o mais cremoso requeijão forjado nas montanhas de Minas, pelas mãos do melhor artesão. Tenho sede de você! Já sei, já sei que falta de bom senso a minha! Comparar a sua presença com um pedaço de pão com requeijão, tenho mestrado na falta de bom senso. Talvez eu piore as coisas, mas devo tentar explicar-me, eu amo pão com requeijão, te amo mais, devo me redimir.
Amor, só você tem o poder de me curar desse abismo escuro e frio chamado saudade. Sem sombra de dúvidas, você é mais eficaz que um mantra indiano quando o objetivo é libertar meu consciente e subconsciente, suprimir meus medos e povoar-me com bons pensamentos. Seu cheiro, seu toque e seus beijos formam uma combinação mais curativa que qualquer chá catalogado pela medicina alternativa ou indígena. Quanto aos medicamentos e demais drogas da indústria farmacêutica, ao pronunciar-me vou ser um namorado clichê: só de ouvir a sua voz eu já me sinto bem.
Er... eer... ér... bem, mas ainda sinto saudade, e ai, como faz? Devo largar a caneta aqui e agora, pegar a estrada nesse instante como um inconsequente, chegar à sua casa, tocar o interfone de número 1, escutar sua voz, que é doce mesmo com o som robótico de interfone, ai seria minha vez de dizer “pizza”, você responderia que não pediu pizza, a partir daí cairíamos em gargalhadas cada um de um lado da linha, em seguida o portão se abriria. Veja bem amor, com você a felicidade começa antes mesmo do contato visual. Talvez eu deva ligar, só que não, já fiz isso hoje, primeiro que não quero ser um “grude”, segundo que não funcionou muito, matamos a saudade, ou enganamo-la, ou ela nos enganou, não sei ao certo, só sei que ao desligar ela voltou com tudo. Escrever pra você costuma iluminar um pouco essa escuridão aqui dentro de mim. Sim, a saudade é um abismo escuro e frio, parece ser infinito dentro de nós, e quando te escrevo fico imaginando seu sorriso ao ler, e cada flash de imagem sua na minha mente é uma estrela que se acende no meu universo interior. Já disse Raul: “cada um de nós um universo.” No meu universo você é luz, na minha vida física sua presença é amor. Estou com saudade nesse instante, mas estou te imaginando sorrir e as estrelas estão se acendendo, podem ser vistas dentro dos meus olhos, que por sua vez, brilham muito quando penso em você.
Beijo do seu, num um pouco beiçudo, moreno de não se jogar fora kkkk, Pedro.