sexta-feira, 22 de maio de 2015

Auto flagelação


A dor imensurável da triste indecisão
De buscar em si a cura para o que te tormenta
Ser remédio para algo que o iluda, sim.
Mas ser motivo daquilo que te contenta
Buscar em si a cura de um severo pensamento
Exigir resposta para tudo a sua volta
Sem saber se enxerga e sente as coisas e o tempo
Num mundo metafísico procura algo palpável
Parece-me algo distante e sem fruição
Pois gozar de algo que não enxerga é loucura - risos -
Àqueles que usam os olhos e não o coração
Punir, punir e outra vez punir.
Essa é a essência do ser humano
Punir o igual, punir o desigual, se punir
Posso estar falando besteiras, baboseiras
Mas enxergo que o humano carece de perdão
Assim como o punir é nossa essência
A lembrança dos erros passados
São pesos e algemas nas mãos
Uma mão imobilizada pela falta de perdão
Perdoar a si como se fosse si mesmo
Buscar cura para o que te tormenta
Primeiro passo para amenizar a dor da indecisão
Homem que não erra não é humano
O homem que não punir também não.
Humano também não é aquele de tudo tem certeza
Porque duvidar do não se enxerga
Faz parte de uma antiga fraqueza
De um ser que puni a si e aos outros
Camuflado num véu de nobreza.


Pedro Bragança