sábado, 31 de janeiro de 2015

Prazer e Alegria

Será que sabemos mesmo diferenciar prazer e alegria? Chega uma hora que a vida exige isso da gente. Você percebe que a vida é uma grande viagem por um oceano nunca explorado. E que a única coisa que você dispõe é um barquinho a velas. Entretanto, como em toda e qualquer viagem, o vento uma hora falha, fica fraco, outras vezes se vira contra você, e quando isso acontece é preciso ter força no braço para remar e continuar navegando rumo ao seu objetivo.

Por esse e outros motivos que se torna fundamental uma companhia nessa viajem. Alguém que chegue para somar, que tenha objetivos parecidos, pra sonhar junto com você e para remar na mesma direção. Alguém apaixonado por uma aventura e disposta a se arriscar com você em um mar desconhecido. Porque a paixão, que aqui vou chamar de prazer, é apenas o impulso. Vou lhe confessar que é a primeira vez que eu não sinto os pés no chão. E de repente nossos olhares se cruzaram, quando percebemos, cada um estava em uma ponta do barco.

Olhamo-nos, assim que nos olhamos nos apaixonamos; suspiramos, assim que suspiramos ficamos com medo; Como eu sei disso? O desejo é uma mistura de muitas coisas, entre elas o medo. Faz parte, serve pra frear o desejo. E quanto desejo! Mas tive que ir com calma, continuei a remar como quem não quer nada, tive medo de você não acreditar nas coisas lindas que eu sonhei pra nós dois antes mesmo de te conhecer. Eu não tinha pressa, afinal só nós dois naquele barco, só nós dois remando naquela direção, não havia o que temer. Quando estivemos juntos a primeira vez era prazer? Era. Mas agora é mais do que prazer, tornou-se alegria. Porque a alegria é um estágio avançado do prazer. Aquele prazer, ou desejo de estar bem juntinho ali, é momentâneo, só existe naquele momento. Agora, a danada da alegria, essa sim é duradoura e não depende do momento, ela vem assim só com a lembrança. Tudo ficou escuro, quando percebi já era noite, eu não havia mencionado o quanto te acho linda, dormi com medo de não ter a chance de dizer. E foi assim durante exatos quatro meses.

O que todos ao redor chamavam de paciência eu chamava de segurança, você me transmitia essa paz. Porque é muito fácil abrir a boca e dizer “não, não sei ou talvez”, mas os olhos não mentem. E seu olhar toda vez que esbarrava no meu dizia: “Sim, mas espere um pouco, estou com medo de não dar certo, só não desista de mim.” Eu não desisti amor, estou aqui. Pode parecer que seu olhar é bastante prolixo, mas é que quando as almas estão em comunhão todos os gestos são facilmente traduzidos. Sabe bonita, eu me lembro dos nossos momentos juntos e me vêm alegria.

Sei que os momentos de prazer são efêmeros e não se repetem, mas eu não ligo, outros virão. Mas a alegria que sinto ao me lembrar de nós, ah... Essa me vem a todo instante, porque a superioridade da alegria em relação ao prazer está aí, ela sempre volta, basta lembrar. No fim, com você eu aprendi que muitos casais podem sentir prazer em um beijo ou em uma tarde inteira juntos assistindo um filme ridículo na TV, mas a alegria ao lembrar desses momentos poucos casais sentem. Porque pra sentir alegria tem que ter amor, e amor poucos casais sentem. Fico imensamente feliz por dividir um barquinho a velas com você, e por poder remar junto na mesma direção. Mas principalmente por saber que quando o dia amanhecer vou ter você para amar. Que sorte a minha!



Pedro Bragança

sábado, 10 de janeiro de 2015

Fim de tarde

E eu queria um lugar para descansar
Apoiar minha cabeça e mente cansadas
Um porto seguro, um ombro, um colo
Um abraço forte, sei lá
Porque a vida cansa, viver cansa
E como estou exausto...
Como tenho vivido
Apesar que já me senti morto
Logo eu que quis tanto viver bastante
Agora nesse caminho reto
Me sinto torto
Sei que não posso parar agora
Sei que Deus tem planos pra mim
Ele tem planos pra todo mundo
Sei também que a vida tem sido generosa
E ela faz o estilo morde e assopra
Com a mesma mão que a vida bate, ela consola
Faz carinho, faz massagem
Relaxa o corpo, amacia o coração
Acaricia o rosto, alisa os cabelos
Arrepia os pêlos
E pelos inúmeros caminhos a seguir
Talvez este seja o mais reto
Difícil se perder, impossível não evoluir
Porque aprender é crescer
E utilizar o aprendizado para o bem
É viver
E eu tenho vivido
Agora só preciso de uma conversa boa
Um vinho bom
Ver as estrelas se acenderem uma a uma e contá-las
No mesmo compasso que esse amor acende dentro de mim
Perder a conta do brilho das estrelas
Por estar ocupado fazendo um carinho
Ou me perdendo em um beijo daqueles,
Isso mesmo, é disso que eu preciso
Seu sorriso farto, que não posso ver
Mas sinto com os lábios
Um abraço seguro, apertado
E seus cabelos
Insistindo em entrometer entre minha boca e a sua.


Pedro Bragança