segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Milênio

Posso passar mil anos
Me reencarnando em versos
Me propagando em um universo
A cada letra colocada no papel

Para a eternidade
Porque escrever é viver
E ser lido é nascer
Em outro corpo

Outra vida
Como sementes no bico
De pássaros fecundados
Semeadas em terra
Ou jogadas ao vento

Vagando sem direção
Ou com direção
Pois existe uma força superior
Que governa tudo a minha volta

Se faz frio ou calor
Se nasce ou morre
Renasce, se consome

O que seria a vida
Senão uma grande roda
Completada por aqueles que arriscam?

Temer a morte
Em si é já estar morto
Temer escrever o que sente
Em si, é nunca ter nascido

Podem se passar mil anos
Sem uma caneta, um papel, um verso, um amor
Um milênio seria tão efêmero
Quanto um piscar de olhos.


Pedro Bragança

A sexta-feira mais curta da minha vida

Geralmente comemoramos uma sexta-feira
Fim de semana é sempre bem vindo
Mas aquela sexta traiçoeira
Eu preferia não ter vivido
O dia começou tranquilo
Eu fui pro trabalho apressado
Não sabia o que estava vindo
Não temia o inesperado
No serviço eu queria ir embora
Algo apertava o coração
O destino me colocou a prova
testou minha emoção
Por volta de dez horas
Antes de almoçar
Me veio a noticia
Eu me recusei a acreditar
- Seu vô Zuza faleceu
Fui tomado por uma intensa dor
Ali o meu eu se perdeu
Ali minha sexta-feira acabou
Eu me perdi no tempo
Não consigo me encontrar
Todas as noites eu tento
Meu sorriso recuperar
Embora eu não pare de tentar
Sei que é uma busca inútil
Perdi minha sexta-feira
E parte da minha vida
Das lembranças vividas
Das birras por algo fútil
Naquela sexta-feira e até hoje
Me sinto um completo inútil
Que não fez nada pra mudar
De mãos atadas
Quando meu avô morreu
Eu não estava lá
Pra me despedir
Ou quem sabe o salvar
Nada que eu escreva
Nada que eu fale
Irá mudar
Mas, dois anos se passaram
E embora eu não escute
O bater de martelo
Daquele velho carpinteiro
Eu sinto sua presença
Até na chuva que molha o terreiro
Aquela foi a sexta-feira mais curta
Que eu vivi em toda minha vida
E ela ainda não passou.



Pedro Bragança

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Um vazio intragável

Quão vazias são as pessoas que não sabem amar
Sem brilho nos olhos
Mais vazias aquelas que tem medo de amar
Sem sorriso bobo ou,
Alegria permanente

Das primeiras eu tenho dó
Mas sei que ainda irão aprender
Afinal, amar não é tão difícil
Das segundas eu tenho pena
Quem teme amar não vive, existe

Pessoas mortas por dentro
Morte espiritual, morte da alma
Para essas a vida não tem cor
Levam uma vida monótona
Intragável, maçante

Pessoas que não se arriscam
O medo de amar inibe os sabores da vida
Tenho medo dessa gente
Vazios, sem alma
Se não amam, não falam de amor

Fogem dele (do amor) como o diabo foge da cruz
Invejam quem fala de amor
Invejam quem ama com facilidade
Não evoluíram o bastante pra amar
Tamanha inveja, magoa.


Pedro Bragança

sábado, 11 de outubro de 2014

Sexta-feira anoite


Um coração aflito e desesperado de quem se perde a cada dia dentro de seus próprios pensamentos. Fácil encarar os desafios com vontade e valentia quando se está bem consigo. Coração valente.

Vivo me perdendo em sonhos tão reais, me enveredando em madrugadas tão vazias quanto esta, a procura de um motivo pra sorrir. Meu amor está longe, tão distante fisicamente que me aperta o coração não poder tocá-la.
Preciso de uma vida nova, preciso acreditar em algo, ter fé. Poder crer que posso levantar todos os dias por mim, só por mim. Sou inimigo desse silêncio, tenho medo de me aventurar em meus pensamentos e não voltar, deixar a insanidade me dominar. Mas em um mundo tão turbulento e injusto, toda cautela é pouca. Não me perder, é isso que eu preciso ter em mente. Não me entregar de mãos beijadas ao acaso.
O brilho das estrelas nesse imenso e negro céu me mostram que é possível ser forte. Me revelam que nem a mais densa camada de tristeza e saudade podem ofuscar o brilho de uma alma que deseja mais do que tudo voltar a sorrir. Eu posso tudo que eu quiser, querer é poder na medida do meu esforço. O meu tempo ainda vai se adequar aos planos do grande arquiteto do universo e junto dele as coisas irão se concretizar.
Volta logo pra perto de mim, me ajuda, me ame. Se posso sorrir em flash por entre sólidos momentos de tristeza é porque tenho um amor único, que não desiste de mim. Poderia perder tudo, mas sem amor...



Pedro Bragança