quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Brilhar em vida

Digo coisas que eu não sei explicar. Como se algo que tomasse conta do meu ser, assumisse o controle e pronunciasse de forma exagerada meus sentimentos. Uma força estranha que tira dos meus sentidos a censura e me torna, de forma estranhamente incomum para uma vida moderna, uma gritante vitrola, que grita aos quatro cantos o amor que existe aqui dentro.
Sinto-me como um pedaço de papel dobrado ao lado de uma caneta. Inesperado, surpreendente, inequivocamente inspirador. De forma singela, devo pedir desculpas por isso, vou levando uma vida imprevisível, instável. Como um vulcão adormecido que a qualquer momento pega de surpresa quem de mim não espera nada.
Uma estrela brilhou mais forte, e com um tom sereno escutei o eco do vento que trafega pela rua. Gelado. Creio que assim como as estrelas é o nosso sucesso, seja em qual área você deseja brilhar, surpreender.  Ninguém brilha em cima de ninguém, cada um tem espaço reservado no imenso caos do universo em que vivemos. E quantas estrelas ainda não brilharam. Quantas ainda estão inflamando de forma grotesca e insistente. Quantas estrelas já se apagaram e mesmo assim ainda banham nossa face em uma noite escura de tão forte que brilharam em vida.
O fato é que pra brilhar tem que insistir. Nenhuma estrela preenche o céu da noite pro dia, e nenhuma estrela deixa de brilhar por que é dia. O brilho de cada uma está lá, mesmo que não possamos enxergar, sabemos que a noite virá e o sucesso de cada um estará lá pra enfeitar o denso preto noturno.
O que seria do céu sem as estrelas? Talvez continuasse a ser o céu, assim como a vida continua sendo vida. Quero um dia brilhar forte, brilhar em vida. Não brilhar pra mim mesmo, não iluminar meu próprio ego. Quero poder ser luz pro mundo.
Se um dia eu tocar um coração, valeu cada segundo de insistência. Valeu cada letra, cada fonema. Que nossa faísca não seja em vão, que inflame. Que a vida continue pulsando e que em cada pulsar vital, o mundo ganhe mais uma estrela. Pra ofuscar o brilho de uma estrela tem muitos, agora, gente pra incentivar um brilho estrelar de um jovem astro tem poucos.
Creio que o mundo precisa de mais amor, mais carinho, mais sensibilidade às coisas espirituais. Não sou fã desse mundo de sentimentos rarefeitos, onde o desejo de sucesso consome cada vez mais a energia que precisamos para viver bem. Só vive bem quem ama. Não foi uma especulação, nem um palpite. De fato quem vive bem sem amar, não sabe o que é viver. Porque o viver e o amar são umbilicalmente ligados, de forma a se completarem e não existir separados. Ame, nem que seja amor próprio. E por fim, brilhe! Não deixe que o buraco negro da inveja e da falta de fé leve de você a sua essência, seu brilho.


Pedro Bragança

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Crônica do Sol

Eu estou te amando essa manhã. Amando um pouco mais do que as outras manhãs. O dia amanheceu devagarinho, mais devagar do que de costume, o sol demorou a brilhar, foi aos poucos, no céu próximo as montanhas um enorme degradê se formou, ia do negro e denso preto noturno passando pelo laranja mecânico até se misturar no nítido amarelo solar e se consumar num sereno e homogêneo azul.
Mais uma vez a natureza imponente conspira ao amor que sinto por você. O "eu te amo" matutino que eu costumo enviar por mensagem está aqui sufocado entre a boca e a faringe, obstruindo o ar de tal forma que, mais do que nunca, não posso respirar sem dizer o quanto te amo. Minha garganta grita em silêncio o quanto minha alma ama a sua. Chego a conclusão que nossas almas, mais do que nunca, são uma só. Interligadas por um mundo oculto, místico e esotérico, como se por magia tivessem sido separadas. Carrego comigo a tese de que por milhares de anos andamos ligados, uma alma, plena em todos os sentidos, mas uma força estranha nos separou, ordenou que vivêssemos separados para entender que a verdadeira plenitude só é alcançada a dois.
Só seremos completos de verdade quando nos amarmos com toda intensidade, sem condições, sem "se", sem "mas". Esta manhã me senti mais completo do que nunca.
Essa manhã eu acordei de um sonho e me peguei sonhando novamente, só que desta vez olhando pro céu lá fora e ignorando o céu dentro de mim. Foi mágico ver o esforço do astro rei em se desvencilhar das montanhas para trazer luz e calor. Nós dependemos dele para viver, as plantas também precisam, e parece que sol sabe disso, tamanha é a força para sair em cima daquela cordilheira rochosa. Me indaguei o que estaria fazendo de esforço para brilhar e proporcionar vida a outras pessoas, não me veio a resposta, por isso abaixei a cabeça e puxei forte o ar, agradeci ao sol.
A luz da sua alma me ilumina de tal forma que seriam necessárias mil montanhas para me privar do banho de sua luz, eu escrevo para sua alma agradecendo, o remetente é minha alma também, meu corpo é só o instrumento. E por meio dele - meu corpo- eu demonstro a cada segundo, a cada respiração, o meu amor.
Te amar me fez sentir vivo, nesta manhã me senti mais vivo do que nunca.
Quero que seja assim todos os dias de nossas vidas, acordar pra te amar ou na melhor das hipóteses, acordar porque te amo. Acordar e ver o sol brilhar dentro de mim.



Pedro Bragança


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Silêncio, maldito silêncio


Mas porque, cargas d’água esse silencio?
Acostumado com carros, buzinas, conversas
Agora em meio ao silencio da roça
Ouvindo o som do sabiá
E o borbulhar da água na taboca.
Silencio que me tira a agitação
Me deixa calmo, preguiçoso demais
Será que viver muito tempo nesse silencio eu sou capaz?
Volta, por favor volta barulho
Volta e traz contigo aquela dorzinha de cabeça no final do dia
Não agüento mais essa saúde,
Quero de volta meu stress
Cadê aquele sapato que me dói os pés?
O latejar do calcanhar naquelas ruas conturbadas
Me deixou saudade
Agora nessa paisagem,
Bela paisagem, não vou negar
Eu vejo o luar, escuto o beija-flor pairar
E me pego a imaginar
Aquele barzinho com gente alegre
Como será que está?
Eu que nunca deixei de escrever
Olha pra você vê
Não sei o que fazer embrulhado nesse silencio absoluto
Por isso aqui descrevo o dia que fiquei de luto.
Luto pelo barulho
Luto também pra sair dessa quietude
Quero poder voltar a gritar com as pessoas no transito
Ah, tempo bom, sinto saudade.
Pare de piar, maldito sabiá
Mesmo a quilômetros de mim
Insiste em me incomodar
Espere pra você ver
Pra cidade eu vou voltar.
Cansei de reclamar, meu avô, falecido avô
Me chamou pra pescar
O riacho parece estar na mesma direção onde cantava o sabiá.
Eu sabia!
É, dessas primeiras quatro horas na roça
Pra sempre vou lembrar.




Pedro Bragança

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Exagerado

Uma palavra que me descreve
Descreve também o meu amor.
Exagerado, as vezes inconsequente
Mas é um sentimento intenso, disso ninguém tem duvida.
Difícil de lidar, eu confesso
E ainda mais difícil descrever ou falar
Talvez por isso aquele ídolo, Cazuza, resolveu cantar.
Isso mesmo, aquele Exagerado, sim!
O mesmo que se joga aos seus pés.
Bom, Agenor de Miranda Araújo Neto deveria pagar direitos autorais
Mas ai eu penso melhor
Não tem porque cobrar algo que eu grito todos os dias
Grito aos quatro cantos do mundo, sou mesmo exagerado
Surpreender-me-ia se Cazuza não escutasse,
Surpreender-me-ia mais se ele não transformasse isso em canção
Ainda sobre esse sentimento, exagerado,
Acho que não é possível senti-lo aos poucos
Acho não, tenho certeza!
Não sei senti-lo devagarinho.
Exagerado!
Gosto de gritar e fazer graça, chamar atenção
Pois, pra mim não adianta apenas você saber.
Eu quero incomodar a todos com esse exagero de amor.
Pois a verdade é que sou sempre coração,
Tanto por dentro como do coração pra fora.


Pedro Bragança

sábado, 9 de agosto de 2014

O garante legal do amor

Garante legal, entrando um pouco no mundo jurídico, é aquela pessoa que tem o dever perante a lei de proteger, salvar e zelar pela vida do próximo que esteja em uma situação de risco eminente. O exemplo clássico do policial que tem o dever de proteger, ou o pai e a mãe detentores do poder familiar que possuem o poder familiar e averbado a ele o dever de proteção ao filho.
 Trazendo para o nosso mundo, mundo de sentimento que anda paralelo ao mundo da seriedade cotidiana. Creio que um mundo invisível aos olhos, mas sensível ao coração. No nosso mundo devemos ser, por força da lei natural, o garante do amor, fazemos isso como o policial, como o pai e a mãe, fazemos isso automaticamente, sem titubear, quase que por instinto, tentamos proteger o amor a todo preço. Isso é lindo demais!
 Proteger o amor, cuidar dele com carinho, atenção. Talvez o único e grande erro que podemos cometer é amar demais, cuidar tanto e esquecer de nós, proteger muito e abafar o amor. Deixe o amor respirar! Deixe o amor movimentar, o que não movimenta morre, tem que deixar respirar. Como um pássaro que tem como essência do próprio ser, o vôo. Se prendemos o pássaro em uma gaiola temos sobre ele o controle, podemos cuidar dele sim, mas tiramos dele o próprio súmus, a essência, de certa forma ele deixa de ser pássaro. Não queremos que o amor perca a essência e deixe de ser amor, queremos um amor que pouse em nossos dedos ou no ombro e que mesmo livre seja nosso, um amor ligado por laços invisíveis, que paire sobre nossas cabeças e que nos proteja também.
 Desse amor seremos o norte, a referência. Quando se encontrar perdido, seremos sua luz, tem coisa mais linda do que ser a luz do amor? Saber que perto ou em pleno vôo aquele amor é nosso e que mesmo que os anos se passem nada abalará esse sentimento. Seja o garante do amor, cuide, proteja, mas acima de tudo deixe o amor respirar, deixe o amor te amar também, do jeito dele.


Pedro Bragança

domingo, 3 de agosto de 2014

Mini Saia

Certo dia assistindo uma palestra sobre o novo Código de Processo Civil, foi feito uma analogia da palestra com a mini-saia, de fato a palestra deve ser como essa vestimenta feminina, grande o suficiente para cobrir o assunto, e curta o suficiente pra despertar o interesse.
Brilhante! Realmente assim deve ser, mas deixando de lado a palestra eu pensei em outras coisas que também devem se assemelhar à roupa feminina, são vários aspectos na nossa vida, é aquela fila do banco, são aqueles acréscimos dado pelo árbitro no final da partida que seu time precisa segurar o resultado, é aquela caminhada pra manter a forma (curta o suficiente pra despertar o interesse). Enfim, essa analogia com a mini-saia pode ser empregada em vários assuntos no nosso dia a dia, isso porque estamos em um mundo em que não se tem a paciência de antigamente, hoje se clicamos em algo no computador ou em algum site e demora cinco segundos para abrir ficamos furiosos, se demora dez segundos quase temos um ataque, quando enviamos uma mensagem no watsapp e ela é visualizada é como se iniciasse um tic-tac de uma bomba relógio indicando que a pessoa tem seus dez segundos para responder, dá pra imaginar o Silvio Santos falando no watsapp “a dica é sua sobrevivência com quarenta caracteres, você tem dez segundos, tempo...”  ou então o Faustão “se vira nos trinta!”  (que na verdade são dez segundos ou menos) e essa impaciência nos remete ao fato da mini-saia ter que ser curta pra despertar o interesse, as únicas hipótese onde eu não imagino o emprego dessa comparação é na hora dos atributos físicos, tanto o homem quanto a mulher procuram abundância no próximo pra despertar o interesse e a outra na hora de receber o salário, imagina só um salário daqueles ateu (que a gente prefere nem acreditar), você chega para receber e nota que ele é grande o suficiente pra cobrir as contas e curto demais pra qualquer outra coisa, não sei vocês mas meu salário é estilo pirigueteuma mini-saia que não tampa nem o assunto.


Pedro Bragança