quinta-feira, 31 de julho de 2014

Aniversário da minha mãe



Hoje o dia está mais lindo, hoje as coisas estão mais lindas. Até minha cachorra Ariel parece ter notado a beleza e o clima, eu diria aconchegante, que está hoje, não latiu pra me acordar.
Eu acordei, leia-se fui acordado, pela minha genitora descobrindo meus pés e os massageando dizendo bom dia e que já estava na hora de levantar. Essa é a dona Zilda em seu melhor estilo mãe. Agora eu entendi o respeito e o silêncio canino. Quem ousaria interferir no direito de ser mãe? Nem mesmo a Ariel faria isso.
Me vesti de um espírito de filho e disse tudo que minha mãe queria ouvir naquele instante:
- Só mais cinco minutinhos mãe!
E ela sorriu, acho que ela também sentia falta disso, talvez mais do que eu. Mas não fiquei os cinco minutos, nem deveria ter ficado, afinal já estava quase na hora de ir pra faculdade e queria aproveitar aqueles minutos perto dela. Entendi o porque de uma manhã tão aconchegante, era a resposta da natureza àquele dia tão especial, tão aconchegante e acolhedor quanto um abraço materno.
-Pedro Augusto! Já lavei sua blusa de frio, não esquece porque está muito frio lá fora.
Nossa, a dona Zilda sabe ser mãe, deveria dar aula para muitas marinheiras de primeira viagem. Vejo as manchetes de jornais mostrando mãe matando filho, filho matando mãe. Às vezes choro por dentro, ainda mais quando vejo filho aí com pai e mãe do lado e não respeita. Isso é mais uma forma de matar uma mãe aos poucos.
Todo ser humano deveria passar por essa experiência de ser mãe, não mãe que gera, mas sim mãe que educa, talvez assim exista mais amor no mundo. Mãe é amor!
Antes de sair dei um abraço bem forte e demorado em minha mãe, dei vários beijos e disse o quanto a amo, sei que é pouco diante do amor dela por mim e sei também que deveria fazer isso todos os dias, não apenas em datas especiais, sou um filho imperfeito, e mesmo assim ela me ama.
Mãe só queria te dizer que te amo muito, sei que às puxadas de orelha e as chineladas foram para me ensinar que devo ser calejado e forte pra viver em mundo sem a sua presença. A senhora é minha rainha, e quem diria que ser criado por uma mulher faria de mim um homem. Parabéns mãe, feliz aniversário. Eu te amo.



Pedro Bragança

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vida

Escrever sobre o que não conhecemos é difícil, não conheço a morte, embora já tenha visto ela bater várias vezes na porta, eu vou ousar falar de morte, mas a última palavra vai ser vida, porque a primeira não existe sem a segunda.
Perder alguém que amamos é difícil. Perder aos poucos entao é torturante, saber que aos poucos nos distanciamos e que a separação total é questão de tempo nos faz sofrer antecipado.
Uma das piores coisas que eu consigo pensar nesse instante é essa antecipação do sofrimento. O namorado de uma amiga minha tem um pai que está acamado, em estado terminal, o médico entre suas inúmeras responsabilidades, ainda esta incumbido de preparar a família para o pior. Esse "pior" é extremamente relativo quando o pior para a família é o melhor para a pessoa debilitada, que sofre duas vezes, uma com as dores da doença e outra com o próprio sofrimento dos parentes e pessoas próximas.
Quando a morte bate na porta devemos ser fortes, se bater na sua porta seja forte para que as pessoas que você ama não sofram, se bater na porta de alguém querido seja forte para que o sofrimento não venha antes da hora.
Sofrer é inevitável, nascemos para sofrer, mas o sofrimento não pode ser a regra. Que a felicidade seja a regra em nossa vida e a dor do sofrimento uma exceção, um acidente.
Se a felicidade for a regra em nossa vida, com toda certeza vai ser na vida das pessoas que nos amam.
Que conselho ou que palavra de conforto dizer para o namorado da minha amiga? Eu já passei por isso com meu avô Zuza, e sei que quase nada pode confortar um coração que se despedaça aos poucos. Quase nada, porque na vida tem jeito pra tudo, e nesses casos o "jeito pra tudo" que a vida tem para confortar  é o próprio tempo, o ruim é que esse tempo se dilata quando antecipamos o sofrimento.
Ao namorado da minha amiga, eu diria pra ser forte como nunca foi e como nunca imaginou ser um dia, ou chegue o mais perto possível dessa força, pois a vida é assim mesmo, nos entrega com uma mão e nos tira com a outra, mas não deixe que o sofrimento vire regra, tenha em mente que uma floresta não sangra por perder uma ou outra folha, jamais antecipe o sofrimento, busque no interior um sprint final de força, um ultimo gás de felicidade e um sorriso alegre para aquele que te trouxe a vida.


Pedro Bragança

sábado, 26 de julho de 2014

O vento

O vento com toda sua invisibilidade e frieza colide com os amontoados de alvenaria do centro da cidade, surge então um diálogo incessante e intraduzível que nossos ouvidos mortais jamais entenderiam.
É difícil para os ouvidos humanos decifrar ou interpretar o barulho do vento. Creio que o vento é o próprio sentimento, ele sopra as pessoas ou entra em seus pulmões e sai levando contigo o que essa pessoa sente.
Se alguma coisa te incomoda entrega pro vento! Deixa que ele se encarrega de levar tudo que está em seu íntimo. Respire fundo.
Escute o vento, tente senti-lo, mas sem procurar uma tradução. Lembre-se que o vento é sentimento de alguém em outra parte do mundo, da cidade ou do muro. Então sentir o vento é sentir algo que alguém sentiu em algum lugar, sentir o vento pode ser amar alguém, ou até mesmo odiar na falta de vento, já que assim como as trevas é a falta de luz, o ódio é a falta de amor. Uma brisa leve seria um amor no inicio, aquela paixãozinha de começo de namoro, que com o tempo vai criando raiz e se torna um furacão.
Sinta o vento, se apaixone, se perca, se ache. Respire fundo e deixe o vento te encher de sentimentos novos, deixe que ele carregue pra longe os sentimentos que não te acrescentam nada. Se permita sentir o vento no rosto imaginando quantos rostos e quantos corações foram tocados antes do seu.
Aprender os mistérios do vento é uma tarefa difícil, tudo que é invisível aos olhos é difícil compreender mas ao mesmo tempo essencial, assim é o amor, assim é também o vento.


Pedro Bragança

terça-feira, 22 de julho de 2014

Desafeto

Nossas almas podem ser representadas com duas retas paralelas. Essas retas eu carinhosamente apelido de destino, com um pouco de lógica chegamos à conclusão de que essas retas nunca irão se tocar, e que nossas almas nunca se encontrariam, seguiriam eternamente sem se entrelaçarem nunca.
Mas quem disse que o amor é lógico? Talvez o destino seja matematicamente exato, o fruto fiel das nossas atitudes, escolhas e do nosso esforço, mas o amor não. 
O amor não é exato, não é reto, muito menos previsível ou calculável.
O amor é tão instável quanto uma linha de um eletrocardiograma, pode oscilar ou se esticar em um sonoro e contínuo Bip. Devido a essas ondulações provocadas pelo amor em nossa linha reta do destino, nossas almas têm se encontrado várias vezes. E a cada encontro elas parecem se entrelaçar mais e mais é como se a certa altura se confundissem, como se o amor mesclasse nossas almas com tamanha intensidade que sua separação arrancasse de mim a própria vontade de sorrir, e me deixasse vazio, sem vida.
Nossas brigas e nossos desafetos um dia não passarão de lembranças e casos para contarmos anoite antes de dormir, vamos rir bastante, rir até sair lagrimas, no fim veremos que nossos desafetos sempre derramarão lagrimas, hoje de tristeza, medo de perder e medo de não ser pra sempre, no futuro serão as lagrimas de alegria, a barriga vai doer de rir de nós mesmos e do quanto pequenos problemas nos afetavam tanto.É que quando o amor é demais qualquer desentendimento se torna grande, é multiplicado pela insegurança, pelo ciúmes, e pelo amor também, que mesmo não sendo exato pode multiplicar qualquer outro sentimento ou percepção. 
Só quero que não se esqueça de rir bastante comigo dessas coisinhas pequenas que nos causam tanta dor de cabeça e que nos deixam tão inseguros, porque num futuro nem tão distante, como eu disse, esses desafetos serão apenas lembranças, nem boas, nem más, apenas lembranças. 





Pedro Bragança

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Saudade II


Perco o sono, perco o rumo, perco o prumo. Uma manhã fria, volta as aulas, aquele friozinho diabólico que deixa roxo os lábios, deixa seco a boca, e deixa frio o coração. Um frio de ranger os dentes e corar as bochechas. O vento frio que vem ao meu encontro traz lembranças de você, a sensação é que uma pequena corrente elétrica me percorre a espinha, algo em torno de 6 volts, 1 mili amper, o bastante pra criar uma conexão com o vento frio e permitir seu diálogo com a minhas costelas.
Aprendi que quando a dor aperta assim e o coração parece gelado, mesmo em dia quente, damos o nome de saudade. Uma dor que descortina os sentimentos mais ocultos, faz tremer músculos que até então eram desconhecidos e materializa em forma líquida e salgada toda a dor da ausência que o corpo carrega. Uma lagrima cai.
É natural sentir saudade, estranho é não poder saciar essa vontade de estar perto. Sinto saudade do meu amor desde exatos três minutos após a despedida, não entendo o motivo de ser sempre esses três minutos, e olha que eu já refleti bastante sobre isso.
O primeiro minuto eu chamo de fase de êxtase, nesse minuto eu fico anestesiado de carinho, amor, felicidade, nesse minuto nada pode me afetar, nem me fazer infeliz, este é o ápice dos sentimentos.
O segundo minuto eu apelidei de minuto ressaca, uma ressaca boa, aquele gostinho do ultimo beijo ainda dançando por entre os lábios, nesse minuto a cabeça gira, mas é uma ressaca boa.
O terceiro minuto é o minuto dúvida. Quando vou voltar a vê-la? Será que ela também sente isso? O que é "isso"? Nesse minuto a mente é um caos, e eu preciso ser forte pra não me perder.
Depois desses três minutos a saudade vem gritante como uma sirene de ambulância ao socorro de um acidentado caído do asfalto.
Eu entendo que esses três minutos pré saudade são necessários, a própria saudade em si é um mal necessário pra que o sentimento evolua, necessário pra que seja valorizado cada segundo perto, e portanto, essencial pra que uma amizade ou um amor sempre se solidifiquem mais e mais a cada reencontro.


Pedro Bragança

Saudade

Parece que o frio chegou. Mas que hora indesejável, chegou junto com a saudade, assim fica difícil senhor frio, acaba de congelar minha alma e com isso me dói desde as pontas dos dedos do pé até o ultimo fio de cabelo.
Se é pra congelar, porque não congela o tempo, mas espera eu matar a saudade, deixa pra congelar o tempo quando eu estiver do lado dela, não sei se vou suportar o frio assim tão longe, muito menos suportar a saudade assim tão frio.
Que frio devastador, me destrói por dentro enquanto me esquivo das boas lembranças, se eu não me esquivar elas me acertam em cheio, seria uma batida fatal e eu não suportaria de tanta saudade. Saudade daquele sofá, daquela cama, daquele último filme, dos sorrisos, da última briga, que droga, saudade até dos defeitos. Nunca vi, ou melhor nunca vivi um amor tão defeituoso, e ao mesmo tempo tão maravilhoso. Ela me aprisionou, me viciou, me fez aprender a viver com ela, só com ela, coitado de mim, eu virei dependente, tanto dela quanto daquele sorriso, daquele cheiro, daquele carinho.
Aqui nesse frio sinto-me em uma crise de abstinência, sou dependente daquele amor e não existe reabilitação pra esse vicio, se existisse eu recusaria. Quando fico sem esse amor começo a tremer, não sei se é saudade ou é meu corpo reclamando do frio, às vezes um calafrio percorre a espinha, e termina nas extremidades dos braços, não sei se é o vento frio chegando ou se é a falta daquele carinho, daquele amor.
Quanto tempo vou sobreviver nesse frio? Eu sei que será mais tempo do que sobreviverei com essa saudade. O frio eu posso burlar com uma fogueira, ou esfregando bem as mãos. Mas essa saudade só cessará com aquele abraço apertado, ou aquele beijo que só ela tem.
Vontade de sair correndo, preciso fazer uma corrida de seis quilômetros até a casa dela, assim eu esquentaria o corpo desse frio e aqueceria também meu coração, acabando momentaneamente com essa saudade.



Pedro Bragança

sábado, 12 de julho de 2014

E o verbo se fez carne

E após vários minutos lendo, relendo, lendo mais uma vez, se apaixonando, fiquei imóvel. Mais imóvel que atacante da seleção brasileira em semi-final da copa de 2014 (espero um dia não precisar desse tipo de humor). Que delicia é ler algo que nos imobiliza, que toca nossa alma nos deixando bobos e satisfeitos, ou espertos e insaciáveis. O interessante de uma boa leitura é isso, a incerteza, a imprecisão e imprevisão do efeito que ela causará.
Um leitor esperto abusa das palavras, frui delas como quem chupa uma laranja, espreme a palavra até obter dela tudo que ela tem a oferecer, é como se a palavra fosse uma cana, e a mente um engenho, ali a palavra é moída de um lado sai o bagaço, do outro o mais doce e divino nectar dos deuses.
Quem lê minhas palavras com o sentimento que eu escrevo enxerga o mundo com meus olhos, escuta os sons e ruídos que eu escuto e produzo, enxerga as cores que eu enxergo e conhece aquelas que eu invento.
Escrever então é mais do que descrever, o texto é uma extensão do autor, é a externalização dos sentimentos, o escritor deve ser transparente como uma criança,pois uma criança não sabe conter suas emoções, isso as torna puras, uma criança é incolor, se tá triste chora, se tá feliz sorri, uma criança nao vive meias verdades. Assim tambem deve ser o escritor, escrever como uma criança que conhece as regras gramaticais, brincar com as palavras como quem puxa um carrinho ou pentea uma boneca. Me perguntaram o que é poesia, hoje eu sei que poesia não é mas sim está. Poesia está no sorriso de alguém que amamos, vejo poesia nas coisas vivas, poesia é movimento, poesia não é rimar, não é seguir uma simetria no texto, não é nada disso, eu sei que um texto é poesia quando as palavras me fazem tremer, arrepiar, sei que é poesia quando minha cabeça parece que vai sair do corpo, quando a pele parece que vai desgrudar dos ossos, poesia é sangue, é carne, e o verbo se fez carne, poesia está dentro de cada um de nós, ela é sorriso, é lágrima, é ódio, e é amor também.



Pedro Bragança

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Novelo de idéias

Que dificuldade! Como é difícil passar o sentimento para o papel. Às vezes acho que é algo impossível, e de certa forma é. Peguei o papel, peguei a caneta, coloquei uma música no computador, nem muito alta nem muito baixa, o bastante para se confundir com meus pensamentos, e se confundiram.
Talvez essa confusão tenha atrapalhado na escrita, talvez tenha ajudado, mas por precaução, antes de escrever eu tenho que me esforçar para desembaralhar os pensamentos, é um processo muito complicado, é como um caça-palavras mental, como se estivesse desembaraçando uma linha de soltar pipa, mas essa linha é formada de letras, silabas, fonemas, envolto nessa linha está o joio, preciso separá-lo do trigo, retirar algumas palavras, às vezes retiro algumas manias. Isso eu faço contra a minha vontade, sou totalmente contra isso, afinal essas manias transformam o simples texto em “meu texto”, não importa se está ruim ou bom, até porque isso é uma questão de ótica e de interpretação, o que importa é que posso chamá-lo de meu, e as pessoas que possuem as mesmas manias também chamarão de seu.
Conseguir desembaralhar um texto é uma tarefa árdua, quase uma batalha, e deve ser lutada com garra, pra ser vencida com honra. Pego uma palavra pelo pescoço, aperto até ela quase perder a consciência, acontece que algumas palavras são agressivas e traiçoeiras, se você não for rígido e assumir o controle, ela te derruba, ou machuca alguém. Essas palavras são as piores, mas é preciso utilizá-las para que não tenha distância entre o que eu sinto e o que eu escrevo.
No geral todo escritor é uma pessoa apaixonada. Logo, toda pessoa apaixonada é um escritor? Talvez sim, talvez não. A paixão é uma pinça, uma peneira ou qualquer outra ferramenta ou forma de selecionar as palavras que serão utilizadas, assim como o ódio também é. O ódio, assim como o amor, decanta a escória das palavras deixando a vista apenas aquelas que condizem com o sentimento ou com o momento.
Depois de desembaralhar e colocar em ordem, gastar a tinta da caneta e aplicar uma boa dose de concordância (não concordância gramatical, mas sim concordância com o que sou, com o que faço e com o que sinto), eu fico atônico enquanto corrijo, às vezes escapa um sorriso enquanto passo à limpo, fico bobo como um pai que pega seu filho no colo pela primeira vez, meio desengonçado ao ler, mas ainda sim feliz como uma criança por ter desembaraçado a linha das palavras e assim poder voltar a soltar pipa.



Pedro Bragança

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Legitima defesa do amor

- Eu agi em legítima defesa do amor.
Sempre fui completo em meus sentimentos, o que significa que nunca amei pela metade, mais do que isso, eu nunca amei mais de uma pessoa ao mesmo tempo, pra ser sincero não me recordo de ter amado outra pessoa, mas se amei, optei pela segunda por ter a convicção de que quando se ama alguém verdadeiramente não pode existir espaço pra dúvida.
Desilusões amorosas, quem nunca? Quem falar que nunca se iludiu está mentindo, tanto é que algumas pessoas vivem iludidas a vida inteira, sem nunca encontrar um amor para chamar de seu, apenas acha que estão amando, quando na verdade sentem um carinho, amizade, apreço ou, nas piores situações, compaixão, dó. Aproveitando essa deixa quero fazer um apelo, mais paixão e menos compaixão, por favor.
Quando somos iludidos por alguém, ou na maioria das vezes, por nós mesmos, acabamos deixando aflorar nosso lado egoísta, começamos a pensar apenas em nós, e como conseqüência iludimos outra pessoa. Tentamos de toda forma ser feliz, e nos esquecemos de esforçar para fazer outra pessoa feliz, eis uma forma de amar de verdade, fazer outra pessoa feliz e ser feliz com isso. Mas nos esquecemos disso, aproveitamos de uma pessoa que sinta pela gente algo sincero, pegamos essa pessoa de bode expiratório, iludimos e mascaramos essa desilusão dizendo ser uma forma de esquecer aquele amor que não se entregou por inteiro pra gente. Mas e essa pessoa que estamos iludindo? Ela que iluda outra pessoa? Onde vamos parar assim?
Eu respondo. Iremos parar exatamente onde estamos, em um mundo de ilusões e desilusões amorosas, onde as pessoas iludem umas as outras, matando o sentimento uns dos outros inclusive o próprio, se tornando frio, afirmando agir em legítima defesa do amor.
Se você ama e é amado aproveite, dê valor. Pois, em terra de desilusões amorosas, quem tem um amor sincero é rei.




Pedro Bragança

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Antes de dormir

Passava das três, e minha mente vagava pelo imenso e negro céu, meus olhos estavam fixos em um canto qualquer, ou em qualquer canto, não sabia ao certo, apenas tinha certeza de uma coisa, aquele vasto universo poderia ser contemplado tanto ali, da janela do meu quarto, como de qualquer parte do mundo. Era tão misterioso e indecifrável, quanto os pensamentos daquela mulher.
Mas espera ai, qual mulher?
- Aquela! Existe outra com tamanho ar de mistério ou existe outra que mereça o sacrifício do meu precioso sono?
Você pode não saber o nome ainda, mas tenho certeza, vai perceber que conhece e muito essa mulher, vai ver também que ela apesar de unica se manifesta, as vezes de maneira devastadora, na vida de muitos homens. Homens que como eu não sabiam dar valor achavam frescura falar de amor, e ainda pior demonstrar qualquer tipo de sentimento.
Eu aprendi que homem também deve falar de amor, também deve fazer carinho ou até mesmo chorar, é, homem deve ser sensível ao tratar uma mulher com sentimento, doçura e a delicadeza que ela merece. Mas eu não pensava assim, eu tinha na cabeça um pensamento diferente, ou vai saber, um pensamento igual aos padrões que a sociedade entendia como correto. 
Não falo da sociedade de forma absoluta, pois sei que por ai existem outros homens que viveram uma história parecida com a minha e que foram rejeitados, depois,acolhidos para perceberem a importância de mostrar todos os dias o quanto amam a mulher de sua vida e com o tempo se converteram aos carinhos e cuidados de uma mulher de verdade.
Aqui da janela do meu quarto minutos antes de dormir fico como de costume "rebobinando" meu dia e percebo que, mais uma vez, meu dia não passou de um "pleonasmo redundante" de pensamentos nela e no tamanho do amor que eu sinto. Exagerado e imensurável, duas palavras que definem em parte o meu amor por ela. 





Pedro Bragança

terça-feira, 1 de julho de 2014

Envelhecer ao seu lado

Se eu pudesse parava o tempo do seu lado, nossa! Seria maravilhoso parar tudo no seu sorriso, assim nós não envelheceríamos e todas as promessas seriam realmente eternas. Mas fico satisfeito em viver do seu lado até morrer. Isso parece ironia quando na verdade morro de amor toda vez que te vejo.
Imagina que incrível envelhecer ao seu lado, ver o Brasil ganhar quantas copas forem possíveis, ver o homem achar vida em outros planetas ou povoar marte, ver os carros flutuantes, ver coisas ruins mas suportáveis ao seu lado como por exemplo a água doce sendo comercializada em preço mais alto que barris de petróleo, ou ver coisas boas como o fim do preconceito.
Vivendo muito ou pouco, não importa, isso desde que eu viva com você. Viver pra ver nossos filhos jogando bola e se decepcionando em amores de infância, aprendendo a ler e escrever, viver pra ver a Cecília, esse é o nome que escolhemos pra nossa filha, pra ver ela trazendo o primeiro namoradinho pra nos conhecer, se é que ela vai trazer com esse negócio de redes sociais, mas vamos educa-la no amor, vamos ensinar como é bom amar, e vamos nos fazer de exemplo e espelho pra ela de um amor sincero e perfeito em todos os defeitos.




Pedro Bragança