domingo, 29 de junho de 2014

Falar de amor

Falar de amor sem perder a cor, morrer de amor e aí sim viver dele. Juntos somos os dos extremos, eu preto, todas as cores misturadas, ela o branco, a ausência de todas as cores. Às vezes invertemos os papéis, eu viro o branco e ela assumidamente incorpora todas as cores juntas. Somos dois extremos, Oiapoque, Chui, ela quente, eu frio, eu fogo e ela gelo. Talvez por isso tanto desentendimento e ao mesmo tempo tanta necessidade um do outro, quando sou fogo preciso de gelo para não queimar alguém, quando gelo preciso de fogo para não me silenciar para sempre. Vivemos em um eterno atrito, um contato de resultado indecifrável. Apenas depois do primeiro toque nos deliciamos com as improváveis consequências, vez ou outra ela precisa de paciência pra aturar minha maluquês, e eu preciso compreender o ciúmes dela.
Às vezes eu piso na bola, tudo bem às vezes não, estou constantemente pisando nessa forma geométrica tridimensional simétrica, e ela por ser extremo, nunca cometeu se quer um deslize, sempre foi correta e incomparavelmente sincera.
Não sei se mereço cada vez que fui perdoado, pois quando nem eu me perdoava, ela levantava meu queixo, secava as lágrimas, me olhava nos olhos umedecidos, e dizia o quanto me ama acompanhado de um doce "eu te perdoo". Tenho medo que a minha triste imperfeição mate o que ela tem no coração, tenho muito medo de chegar ao fim e não ter alcançado o que ela esperava de mim. Nunca desistirei dela, muito menos abrirei mão de fazer dela a mulher mais feliz do mundo, posso morrer tentando, disso tenho certeza. Mas quer saber se já pensei em desistir de mim?
Hoje de manhã eu estava pensando nisso.
Não importa quantos leões por dia eu precise matar ou quantos dragões eu precise combater para fazê-la feliz, eu vou derrotar todos os inimigos, mesmo sabendo que o pior inimigo está ali dentro daquele espelho.





Pedro Bragança

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Queria ser poeta

Ela merece uma poesia, mas não dessas forçadas, merece uma espontânea, natural, igualzinho ela é. Merece uma poesia que a acaricie o pescoço enquanto a beija, digo enquanto ela a lê. Merece sim, uma poesia com cheiro porque não? Um aroma de mesa de café da manhã enriquecido com a leveza e delicadeza do perfume que ela tem. Ela merece mesmo uma poesia, pois é pessoa que eu inevitavelmente pensei ao escrever esta ultima frase.
Gostaria muito de escrever pra ela, eu seria o seu escritor e ela minha leitora, não é muita coisa mas seria minha e eu dela e de certa forma estaríamos ligados e dependentes um do outro. Eu precisando dela pra ler minhas poesias e ela precisando de mim pra saciar sua fome de leitura. Mas tenho medo de decepcionar, medo de tirar dela esse gosto pela literatura, acontece que ela é uma baita de uma inspiração, mas também é uma enorme distração. Me pego distraído pensando nela e nos momentos que ainda não vivemos, mas vamos viver, ah se vamos! Tenho certeza disso, tanta convicção quanto vontade, vontade que me move, que a comove, que nos envolve, assim como também nos envolve esse último verbo.
Ainda acho que ela merece uma poesia, mas eu não sou poeta, e se eu não serei o autor dessa tal poesia prefiro que ninguém seja, sou possessivo e ciumento. Que inveja dos poetas que escrevem de forma tão intensa sobre sentimentos, principalmente sobre o amor, me alegraria muito se um dia escrevesse sobre meu amor como os poetas escrevem, da mesma forma os poetas gostariam muito de amar como eu amo. Tenho certeza.
Ela merece uma poesia, daquelas de arrepiar os pêlos do braço, daquelas que a faça se sentir amada, merece uma poesia para ler pausadamente ou ritmicamente, pois assim poderia deixar escapar sorrisos ou só risos e até mesmo suspiros entre uma estrofe e outra. Ah como eu gostaria de aprender a escrever poesias, quero porque quero me tornar um poeta, amar eu já sei, meio caminho andado, inspiração também já tenho, parece que a única coisa que me falta é mesmo coragem pra vencer a insegurança e o medo dela não ler. Queria ser poeta. Queria surpreender.




Pedro Bragança

domingo, 22 de junho de 2014

Morrer de amor

Vida depois da morte, ta aí uma coisa que nunca saberemos com certeza antes de morrer. Bom, que todos vamos morrer um dia isso sabemos, mas e depois? Será que existe uma vida depois disso tudo? Será que existe um paraíso?
Eu acredito em uma vida depois da morte, mas primeiro devemos colocar as cartas na mesa e esclarecer de que morte ou de que vida estamos falando. Temos uma concepção, na minha opinião muito precipitada, de que toda morte é ruim e que toda vida é boa. De fato ninguém quer perder a vida, afinal somos por natureza egoístas e amantes da vida, é difícil pra nós, simples mortais encontrar a honra implícita na morte de um soldado por exemplo que morre na defesa de outras vidas, ou numa mãe que doa sua vida pelo filho, se privando de muita coisa para lhe proporcionar uma vida que não teve. A morte tem lá seus mistérios, na verdade tem todos os mistérios, e portanto nos causa medo, temos pânico do desconhecido. Mas existem mortes que são passagens para uma vida nova, é esse tipo de morte que eu quero defender, sou a prova viva que existe algo depois da morte, já morri varias vezes, e acabo morrendo todos os dias, a cada morte me sinto mais vivo do que nunca. Eu morro de amor. Sou uma alma de um amante antigo confinada nesse corpo limitado pelo mundo moderno, mundo onde amar é ser brega e falar de amor é ser tosco. Sou atrasado ou um intruso nesse tempo, mas não estou sozinho, muitos iguais a mim morrem de amor e assim permanecem vivos. Esta é a mais formidável e de certa forma indescritível vida depois da morte.
Muito honroso morrer de amor, mais digno ainda morrer de amor e ao mesmo tempo viver dele. Se existe um paraíso depois da morte, e existe podem acreditar, só frui dele quem morre de amor. Que sentimento complexo e surpreendente esse tal amor, nos mata num golpe de azar e nos faz viver num golpe de sorte.





Pedro Bragança

Luz, camêra e ação

Luz, câmera, ação. Mas não qualquer ação, não qualquer luz. Luz que vem de dentro, a luz que muda o mundo, luz que cativa, que incomoda, que alegra e muda quem é iluminado por ela. É a luz do gesto fraterno, luz que emana daquele que dá sinal pra você no ônibus quando suas mãos estão ocupadas segurando seus livros de escola, essa mesma luz gruda no seu corpo, sei lá, parece que acende uma vela dentro de você, vela da boa educação e cordialidade, você sai do ônibus e enxerga melhor as pessoas e suas necessidades, passa a ajudar mais, fica mais gentil. Ação, à luz da caridade toda ação é iluminada, ação, movimento, fico pensando que bom seria se as boas ações fossem automáticas, imagine só, movimentos peristálticos, você vê uma pessoa triste, daí chega perto com sua luz e não se afasta enquanto não arrancar um sorriso. Vê alguém com fome e pedindo dinheiro para viajar pra sua terra natal em algum lugar na grande São Paulo, e você não pensa duas vezes vai lá e paga um lanche com medo do dinheiro ser usado pra comprar drogas. Mas a droga da desconfiança, a droga do preconceito, a droga da discriminação e a droga da falta de fé nas pessoas, essa nós somos viciados e consumimos em larga escala, contrabandeada do íntimo de nossos corações. Você tem que ver alguém com a luz apagada e imediatamente se movimentar, "chegar junto", se dispor a serviço daquela lâmpada que precisa de eletricidade, ou simplesmente daquele ser que precisa de atenção.
"-cada pessoa tem de mim o que cativa!"
Se você fala isso, me diz o que tem cativado nas pessoas? Ou melhor, o que tem cultivado?
Acho que algumas pessoas falam desse assunto com mais propriedade, eu pessoalmente tenho pensado muito em mim e pouco nos outros, isso não é bom, admito.
Eu vi um menino de rua vendendo bala no sinal, fiquei ali cinco minutos atônico pensando onde está o Estado, que mesquinho eu fui, fácil botar a culpa no Estado e ficar ali naquele ponto de ônibus parado sem atitude, sem ação, sem luz.
Vi quando uma senhora passou à pé próxima àquela criança e firmou a bolsa com a mão embaixo do braço, outro passou de mãos dadas com o filho pequeno e acelerou o passo puxando o pequeno pelo braço só pra não precisar dar explicações ao filho sobre o porque de ter crianças na rua ou talvez fosse só pra não comprar balas, talvez seu filho tinha acabado de escovar os dentes. Eu ali parado apenas imaginando o porque daquelas reações, estava ali naquele ponto de ônibus, parado, como o "bacana", ocupado demais com minha vida pra poder fazer algo pela criança de rua. Mas entre tanta discriminação, tanto medo e rejeição no olhar do pacato cidadão, pai de família que avistava o menino no sinal e subia o vidro do carro, eu vi algo que ascendeu um pouco aquela vela anteriormente mencionada. O vidro abaixou e atrás daquela película cinzenta das janelas escuras de um scort, apareceu um sorriso, aquela distancia parecia que tentava olhar nos olhos da criança, tarefa difícil visto que, ficava incessantemente olhando para baixo, me surpreendeu quando esticou a mão para fora do carro e pegando no queixo daquela criança, levantou sua cabeça, ela se assustou quando recebeu daquele motorista um pouco de carinho, se assustou um pouco menos quando o viu pegar no banco carona um salgado e uma coca-cola, agradeceu e saiu correndo provavelmente, eu suponho, pra dividir com algum irmão de rua, corria e pulava muito, mas daquele ponto de ônibus eu pude vê-la sorrir pela primeira vez, e eu sorri com ela! Ah se eu soubesse que o segredo da felicidade estava ali, nos pequenos detalhes.




Pedro Bragança

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Mostra a sua cara

Ó pátria amada salve, salve, nos salve, nos livre das mãos gananciosas que nos governam com punhos de aço alçados ao céu de quatro em quatro anos, enquanto descansam pousando sobre o bolso do particular. As mãos descalejadas e macias, preparadas pura e simplesmente para dar tapinhas nas costas do cidadão na hora de votar. Ó mãe gentil, que em estado puerperal elimina seus pobres filhos, frutos de uma aventura em alto mar a procura de um caminho mais curto e seguro para as índias. E que todo o mar desbravado e inconseqüentemente explorado a quinhentos anos sirva de palco pra mais um brado retumbante de clamor do povo que vai à rua devastar o solo que pisa, depredando e disseminando o patrimônio comum ao mesmo tempo que brincando de pirofagia com o transporte coletivo e com a legitimidade de reivindicar aquilo que entende seu por direito, enquanto isso mais um senhor de engenho dá gargalhadas e cospe arroz sentado em uma cadeira na ponta de uma mesa de jantar, assistindo as manchetes em sua TV de 50"  HDTV, com duzentos canais via satélite, já que na ilha particular onde chegou de helicóptero, não tem sinal de TV a cabo. “Batam palmas, a mágica do enriquecimento invisível, faz sumir a grana do seu bolso e ir pra cueca deles como era previsível”. E os filhos deste solo sem ter o que comer, a mercê da criminalidade ó mãe gentil, cadê a gentileza, cadê a tutela do povo heróico, cadê a compreensão com o idoso, cadê? Gigante pela própria esperteza, esperteza dos que “passam por cima” do legítimo detentor do poder, o povo. Povo que se mata, se agride, entre si. Povo que quer fazer justiça com as próprias mãos talvez pra desabafar a insatisfação erroneamente, povo inocente, pobre povo, além de dar o seu dinheiro e o seu poder para meia dúzia de corruptos, ainda sobra tempo para agredir uns aos outros e distrair aqueles que de brasileiros não têm nada.



Pedro Bragança

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Tecendo letras

Giz, poeira, grafite, tinta azul da caneta bic ou a lápis, escritos eternos no sangue como deveria ser uma tatuagem, mas hoje até a mais avançada tecnologia laser pode apagar. Assim também são essas palavras, onde o ar de modernidade e da "evolução" tenta censurar dos leitores seus efeitos, mas seus efeitos não, esses ficam eternamente registrados como desenhos em pedras que foram catalogados, classificados, estudados e reproduzidos a fim de entender os pensamentos do antepassado, o escritor, este sim sobrevive imortalizado pelo legado. Aquele legado escrito, falado, interpretado, elogiado e criticado, principalmente criticado, críticas severas, desmotivadoras e maldosas que fazem com seus textos o que o vento faz com o fogo, é como dizem...apaga a pequena e frágil chama ou inflama aquela palavra forte e insistente. Seus textos são persistentes quase vivos e suas palavras são breves, sucintas, diretas como o golpe cruzado de um pugilista, outras vezes macias como uma pluma da mais delicada ave. O processo se inicia com reações químicas entre células nervosas no interior do vasto universso mental, ali dentro daquela crosta óssea a mágica acontece, as experiências da semana se convertem de forma miraculosa, os acontecimentos observados pela cavidade ocular são fragmentados, depois reunidos, outra vez picotados e colados, peneirados e assim selecionados, aí vem o tempêro, porque ninguém quer uma leitura sem sal, então colocamos uma pitada de sentimento, gotas de humor e muita vontade de mudar o mundo, pronto! Eis a receita, ou talvez a fórmula desse farmacêutico literário. Agora tem que sair do papel, ou melhor, agora tem que ir pro papel, dalhe mais uma porção boa de vontade, me vê palitos, digo lápis. Todo artezão precisa de ferramentas, uma avó não tricota uma meia pro seu netinho sem agulhas e muito menos sem linha, mas espera aí, linha eu tenho! Posso retirar do imenso novelo cerebral.
Uma vez criado tem que testar, olhar se serve... cadê o netinho, cadê o leitor, cadê? Qual foi? Cadê os amigos? 
"Bora tomar um shopp?"
Mas que tal dar uma olhada no meu texto antes? 
"- Oshe, tô sem tempo pra isso, vamos falar daquela gatinha, tô doido pra beijar, num mexe com isso de escrever não, coisa de marica". 
Obrigado, mas pelos tapas na cara por cada linha, não me rendo. 
"- cadê o texto de hoje?"
Querem me colocar sob pressão, pra fazer o texto do momento, às vezes é mais sensato fazer do momento um texto. 
Pronto! Chegou ao papel, e agora? 
Vai ser lido? 
Não vai? 
Irão gostar? 
E se acabar a tinta?
Não sei, se a bic falhar vou sangrar pra escrever, e o mais importante, essas idéias chegaram no papel. Ufa! Desocuparam seu leito no bagunçado e cinzento HD mental.



Pedro Bragança

Esperança

Tem que acreditar. É de se admirar o bom cristão que segue seus dogmas e que os torna inabaláveis, pois nos dias atuais fica cada vez mais difícil viver de princípios. Num mundo onde vence o esperto e o oportunista não é fácil apanhar e expor a outra face, é muito mais fácil e, devo dizer muito mais confortante, apanhar e querer devolver na mesma moeda. Por isso ontem, enquanto folheava livros que minha mãe tem em casa, me coloquei a pensar mais sobre isso. É, não tenho dúvidas que o mais esperto, mais ganancioso, e mais aproveitador dos seres humanos vai sempre se dar bem, não só na área profissional, na orbita do relacionamento em sociedade também. Darwin, expoente máximo do naturalismo, foi um gênio ao identificar por volta de 1858 algo tão presente nos dias atuais, não apenas na evolução biológica e sexual dos animais, mas em todos os sentidos, o mais forte vai sempre se sobressair. Mas o que é esse ser forte? Ser forte é passar por cima de seres da mesma espécie? Nem Darwin imaginaria que o mundo caminharia para um estado onde seres da mesma espécie são predadores uns dos outros nesse alpinismo rumo ao topo da cadeia alimentar. Na minha humilde opinião de expectador dessa busca inesgotável pelo poder que move os seres humanos, sou fã numero um dos pilares do cristianismo, acredito que suas virtudes teológicas (frutos do contato imediato com Deus) podem mudar, no mínimo, o modo como evoluímos, Fé, Caridade e Esperança, são os três pilares, e em minha opinião cristã, fundamentais para o crescimento individual e coletivo. , talvez não acreditar em Deus, devemos acreditar no mínimo em nós mesmos, acreditar no próximo e acreditar que podemos mudar o mundo começando por nós, fazer uma lavagem interna,recolher tudo que temos de negativo e converter em algo de bom ao próximo, já ouvi dizerem que quando proporcionamos alegria a alguém experimentamos da mais autêntica forma de felicidade, justo! Caridade, não há um ser nesse imenso Planeta Azul que não se sinta feliz ao praticar um ato de caridade, de amor e de amizade, é contra nossa naturezaeu sei, mas estamos acostumados a ir contra a natureza, certo? Por que não enganar nosso instinto? Aquele velho instinto que insiste em nos fazer pensar apenas em nós.Esperança, acho que sem essa palavra, ou melhor, sem esse sentimento, não vai ser possível nada do que já foi dito, talvez não seja possível nem ler essa humilde carta despretensiosa. Esperança nas pessoas, no ser humano, esperança que pode ser feito diferente, esperança que se pode concertar os erros e não errar mais, esperança que depositamos naquele que votamos nas eleições, ouvi um amigo falando que vai votar nulo, já que não tem ninguém pra votar, que todos roubam e que todos são corruptos, mas se pensamos assim podemos morrer todos agora, se não temos esperança de que escolhendo bem um candidato ele irá honrar a confiança e esperança que depositamos nele podemos então morrer. É o que eu acho, na verdade tenho uma ponta de certeza, não vai ser milagres divinos que irão salvar a humanidade, não vai ser o apocalipse, não! A salvação do mundo levanta todos os dias, escova os dentes, se alimenta, dá bom dia, enfrenta o transito, trabalha, é cordial, trata as pessoas ao seu redor com urbanidade. A salvação mundial não vai à TV disseminar discórdia e falsas promessas, a salvação do mundo luta todos os dias de forma tácita, sem aparecer, luta sem falar em luta, cada batalha dura aproximadamente 24 horas, a salvação do mundo dá golpes no preconceito quando olha nos olhos de pessoas que fazem sua escolha, a salvação do mundo treme ao ver uma injustiça, a salvação no mundo acredita no ser humano, acredita em si e não desiste. O salvador está dentro de nós, ele não tropeça no próprio ego, ele sabe que o mundo precisa de atitudes, a salvação do mundo acredita na polícia, mesmo sabendo que meia dúzia é omisso, sabe enaltecer aqueles que arriscam a vida por outros salvadores, a salvação do mundo corre atrás de um caminhão pra deixar a cidade limpa, a salvação dá aulas, constrói prédios, entrevista pessoas e mostra noticia limpa e imparcial, apresenta telejornais sem dar opinião, a salvação do mundo estuda, produz, dirige, anda de bicicleta, enfim, o salvador do mundo somos nós que sabemos olhar pra dentro, e em meio a um imenso túnel escuro de rivalidade, ganância, interesse e vontade de subir ao topo da cadeia alimentar, consegue enxergar um feixe de luz. A luz da fé, caridade e principalmente a luz da esperança.  




Pedro Bragança

E se foi, e se foi.

- Sou diferente dos outros - disse enquanto dividia o olhar entre os olhos e a boca dela. -Podemos dar muito certo, só precisa dizer sim.
- Você diz isso a todas.-
Realmente ele dizia a todas, mas com ela era diferente. Era a primeira vez que era verdade. O problema era exatamente isso, dessa vez era verdade e, por ser a primeira vez, ele não tinha argumentos que a fizesse acreditar, ele mesmo demorou a se convencer que era verdade.
Passaram-se dois, três, quatro, cinco segundos... O tempo parecia avesso, às vezes travesso, lhe pregava uma peça atrás da outra, ele que nunca tinha ouvido falar em Einstein sentia na pele a teoria da relatividade. Era como se ali, dentro daquele carro, os dois ultrapassassem a barreira que divide o tempo e o espaço, naqueles preciosos cinco segundos parados ali olhando um pro outro.
- Vai ficar me olhando assim?- era impossível pra ele, com toda maturidade e certa experiência, decifrar aquelas cinco palavras.
Ele pensava, "isso quer dizer que devo beijá-la?", depois repensava, "não, ela só quer que eu pare de olhar feito um bobo, e dizer que vai ficar só na amizade mesmo."
Isso porque foram apenas cinco palavras e um sorriso meio torto nos lábios. Mas pra ele não, pra ele tinha muita coisa implícita naquela frase.
"Foooooooon!"
Encostou na buzina, que desajeitado,  ela se assustou, ele sorriu meio sem jeito enquanto esperavam o lanche naquele drive thru, mas ele ainda pensava naquela maldita ou bendita frase, a buzina se assemelhava aqueles sinais de escola quando se vai fazer a prova do Enem, era o sinal de início das provas, mas ele já tinha aberto o caderno de provas e a primeira questão era interpretação de texto, o que a autora queria dizer com aquelas cinco palavras? Precisava de uma interpretação autentica ou literal? Talvez teológica ou então dogmática? Concluiu que todo o conhecimento que tinha em hermenêutica era inútil se não aplicado um pouco de psicologia.
Pensou, "ela deu um leve sorrisinho, meio torto, mas ainda sim sorriso, e sorrisos são sempre ou quase sempre bons sinais. Eu pude reparar um meigo arquear de sombracelhas, e logo após ela desviou o olhar para o lado, isso mostrou um pouco de vergonha e talvez inocência ou inexperiência."
Ele continuou em sua cabeça com teorias quilométricas, pensou em astronomia, teologia, geometria, biologia, filosofia e várias outras "ias", ele que nunca foi muito crente apelou até pra astrologia, lembrou que leu outro dia num jornal os signos que eram seus ascendentes, mas faltou coragem pra perguntar em que mês ela havia nascido, prometeu pra si mesmo que ia conferir isso no perfil dela em redes sociais mais tarde. Pensou em física quântica e tentou aplicar até a teoria da desconsideração da personalidade jurídica!
Os cinco segundos viraram cinco minutos, que por sua vez se agruparam em horas. E assim se foi o lanche, se foi a gasolina, se foi a mulher com boné e uniforme na janela dodrive thru, se foi a oportunidade, se foi o desejo, se foi a garota, se foi, se foi e se foi.
Pois bem, antes de tudo ele confirmou que certas coisas nem Froid explica, depois refletindo um pouco mais ele aprendeu que se deve aproveitar o "agora", o amanhã é ilusório, daqui a cinco segundos estaremos cinco segundos mais perto do fim, ou perto do começo do fim. Viva mais e calcule um pouco menos, pois C. Lispector já disse e eu me sinto na obrigação de repetir: "Viver o hoje, nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro." Então, movimente-se!


Pedro Bragança

Vida de criança

Hoje a tarde enquanto observava crianças em um parquinho desses de praça, me recordei de quando as únicas preocupações que eu tinha eram sobre coisas como ter uma mochila de rodinha, ou completar um álbum de figurinha do pokemon, e às vezes coisas mais sérias como por exemplo sentar perto da menina mais bonita da sala ou levar uma lanche pra escolinha melhor que o do coleguinha, e até mesmo ser o único da sala com um estilete feito com lâmina de apontador fixada em tubo de caneta derretido.
Acho errado quando nos referimos à infância dizendo ser o tempo em que éramos felizes e não sabíamos, afinal éramos felizes sim, e sabíamos muito bem disso. Criança é mesmo um ser feliz, não é atoa aquela musiquinha "criança feliz quebrou o nariz", pois, mesmo o fato de fraturar o nariz não estar relacionado à situação emocional da criança, tenho certeza que qualquer adulto ficaria extremamente infeliz.
Voltando ao evento cotidiano que me despertou essa vontade de escrever... Essas crianças brincando no parque daquela pracinha, sujas de areia, pregando de suor, cada uma com dois dentes a menos, no mínimo, mas, acima de tudo felizes e sorrindo. A inocência de uma criança é algo tao puro, é arrepiante imaginar nossa alma como uma tábula rasa, ou uma folha em branco quando nascemos, e que aos poucos, com as experiencias vividas, essa tábula ou folha em branco são preenchidas com descobertas, amores, decepções, micos, amizades, etc. No rodapé da alma são gravadas os pensamentos, as notas de opiniões que formulamos ou somos induzidos a pensar.
Mas as crianças naquele parquinho não possuem opiniões, não opinam sobre política, religião, ou futebol, elas são puras, estão com a alma limpa, como a folha em branco, talvez tenha um rabisco ou outro esboço à lápis, mas nada que as faça sofrer ou fazer alguém sofrer, nada que a escravize.
Uma criança, aparentemente seis anos de idade, desce no escorregador de madeira, dá a volta no brinquedo, escala a escada, e desce outra vez, duas, três, quatro, várias vezes, me parece que está se condicionando, aprendendo que na vida adulta, por trás de toda aquela areia, e longe daquela praça, a vida tem seus altos e baixos, e que nela, assim como no escorregador, devemos subir degrau por degrau, e se por acaso escorregar, devemos contornar o brinquedo e subir outra vez.
Quero um dia ter filhos, e poder ensinar pra eles de forma divertida e sem fugir da infância, existe uma vida além do parquinho, e que nessa vida não há mal algum em ter alma de criança e assim sorrir sem motivo.



Pedro Bragança

terça-feira, 17 de junho de 2014

Café ou Cafuné?



Minha namorada estrategista


Minha namorada estrategista


Lembro como se fosse ontem, o dia era assim mesmo, dia. A noite era assim escura e fria. No silêncio da noite eu não te imaginava, nem me imaginava, muito menos imaginaria nós dois.
O destino é traiçoeiro, sapeca, bagunceiro e arteiro, por esse motivo sempre optei em não confiar nele, tenho medo de confiar e em uma de suas traquinagens ele me sacanear e depois cair em risos de mim. Para não depender do destino passei a não acreditar nele, como consequência deixei de acreditar nas inúmeras variantes e em seus incontáveis afluentes, entre eles o amor. Como acreditar em amor quando demoramos tanto tempo pra encontrar o verdadeiro? Antes de encontrar o amor verdadeiro (você), eu quebrei a cara, quebrei o coração, a alma.
De fato alguma coisa quebrou, com o tempo eu percebi o sentido de tanta decepção amorosa, o motivo de tanto enrola enrola. Muito bem, o raciocínio é tão simples como fritar um ovo, então só precisamos ter cuidado para não furar a gema e misturar as coisas.
É o seguinte: a medida que confiamos no destino e não corremos atrás do que realmente importa, nós vamos criando uma camada de proteção sentimental, essa camada é como uma armadura sobre a epiderme da alma, essa camada vai ficando espessa quando nos relacionamos com as pessoas erradas, e quando enfim nos decepcionamos com essas pessoas, sentimos algo quebrar dentro de nós, acreditamos erroneamente que partimos o coração, ou pior, chegamos a pensar que perdemos o amor de nossas vidas. Tolos, somos tolos quando pensamos isso, pois em todas as decepções, todas as vezes que trincamos e quebramos a armadura da alma com algum envolvimento com a pessoa errada não percebemos mas estamos deixando o coração vulnerável. Inocentemente frágil e sensível ao ataque da pessoa certa. É aqui amor, que você entra nessa minha breve reflexão sobre o os relacionamentos.
Você me pegou desprevenido, esperou a hora certa pra entrar em minha vida, eu me recuso a acreditar que isso foi obra daquele sapeca do destino, prefiro acreditar na sua genialidade quando o assunto é me fazer apaixonar, você parece ter passado anos estudando meus pontos fracos, uma estrategista no amor, esperou as pessoas erradas quebrarem a cara na armadura que eu carregava no coração, e quando baixei a guarda e deixei meu coração vulnerável, você deferiu um golpe certeiro. Não precisou de mais nada, o meu amor por você que estava aqui guardado por trás daquela armadura só precisava de um empurrãozinho, só precisava de um estímulo, ou quem sabe uma boa provocação, algo que rompesse a sua inércia, e que desse partida nos demais movimentos peristálticos, entre eles esse aumento contínuo de amor. Você conseguiu tudo isso com apenas um golpe, o primeiro beijo.
E agora heim comandante? Você demonstrou astúcia e inteligência, além de muita coragem e paciência pra me aturar durante esses dezoito meses, eu sei que não é fácil aturar um estudante de direito egocêntrico, nem um pouco humilde, arrogante, estressado, que tem um leve transtorno bipolar, que as vezes dorme na sua casa por ter passado a noite acordado lendo teorias quilométricas sobre alguma matéria ou artigo científico em alguma revista jurídica, sei que é difícil me aguentar quando atraso por estar terminando de escrever uma crônica sobre alguma coisa que apareceu na minha mente assim que botei o pé na rua pra ir à sua casa namorar, ou quando eu involuntariamente corrijo alguma palavra que você falou. Sou mesmo insuportável.
Mas sou a pessoa que mais te ama nesse mundo, sou a pessoa que chora quando te vejo chorar, e que choraria milhões de vezes em frente de ti se o meu chorou te fizesse sorrir, sou seu melhor amigo, seu maior amor. Por trás de todo grande homem tem uma grande mulher, eu não quero ser o melhor e ter você atrás de mim, quero você do lado onde eu possa cuidar, e lado a lado seremos grandes juntos, quero acordar um dia com duas mulheres na minha cama, você dizendo "bom dia amor" e a outra dizendo "acorda papai."
Eu amo você.



Pedro Bragança

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Copos cheios e pessoas vazias

Aqui nessa mesa de bar, o garçom (que até então estava cansado de escutar centenas de casos de amor), agora está cansado de ver pessoas curvadas sobre seus ipods, ipads, iphones, smartphones, tablets, xinglings e outras drogas afins. É estranho a lacuna que esses aparelhos abrem no relacionamento moderno, que cá entre nós não da pra chamar de relacionamento no sentido da palavra, pois chega a ser contraditório, uma tecnologia cada vez mais desenvolvida, criada a priori, para aproximar as pessoas do mundo inteiro e acaba separando por quilômetros de distancia quem está bem do lado. Olho pra mesa ao lado, um casal de namorados, parecem não ligar um pro outro, cada um em uma ponta da mesa, cabeça baixa como de costume, iluminada por uma caixinha de circuitos integrados, leeds e micro chips de ultima geração, pelo menos nos ultimos dez minutos era de ultima geração, agora já existe um mais potente, com mais memória, ou com uma camera com imagem avançada, um que venha com algemas visíveis no lugar dessas algemas mentais. Olho pro lado oposto, aqui nesse estabelecimento comercial, uma mesa redonda bem no fundo, próxima a um extintor de incêndio e uma planta sintética (como os relacionamentos modernos), em volta da mesa oito jovens, uniformizados, me parecem ter chegado de uma faculdade, acontece que esse bar é meio que universitário, eles parecem estar em um transe hipinótico, o garçom não pergunta nada, apenas traz uma cerveja e bota na "camisola" pra manter gelada em cima da mesa, acho que são frequentes ali naquele bar, ou talvez o garçom não tenha perguntado porque sabe que seria em vão, olha pra eles, rostos iluminados e afeições geladas no rosto como a cerveja sobre a mesa, todos estão fisicamente ali, mas a mente e o espírito parecem ter se esvaído daquelas jovens massas corporais como em uma viagem astral, cada um está vagando em uma parte diferente desse imenso planeta azul, mas não azul de água, essa está em falta, azul da cor dos LEDs emanados daqueles visores mais sensíveis ao toque do que a própria pele humana. Mais um ruído, parece ser um desses aparelhos vibrando, olho pra mesa, dessa vez é o meu, respondo? Ou mostro pra ele quem tem as rédias sobre a minha vida?


Pedro Bragança

domingo, 15 de junho de 2014

Mas sente


Que assim seja

Por que escrever? O que pretendemos quando falamos ou escrevemos sobre determinado assunto? A verdade é que ao escrever posso ser o que quiser, posso ser o mocinho o vilão, o bom cidadão, o vizinho do mal, posso ser mulher ou posso ser homem, o legal de escrever é que o universo é ilimitado, as possibilidades infinitas. Posso escrever para cinco mil pessoas lerem, isto seria ótimo, mas posso escrever para cinco com a mesma emoção, desde que essas cinco sintam o que eu senti quando escrevi, estarei realizado.
Alguém já sentiu tristeza a se ver de mãos atadas vendo o sofrimento de alguém?
Ver uma senhora, uma mãe chorando por perder um filho para o mundo?
Hoje posso dizer que sim, presenciei em uma audiência uma senhora em desespero por não conseguir pagar uma divida com uma escola de pré vestibular que o filho dizia frequentar. Resumidamente o filho que usava drogas e já havia agredido a mãe varias vezes chegou pra ela certo dia e pediu desculpas, disse “mãe, eu quero mudar, me perdoa por tudo que eu já te fiz, agora quero ser motivo de orgulho, quero trabalhar e estudar, pretendo fazer faculdade e sair desse mundo.”
Agora me diz, qual mãe não atende o pedido de um filho? Qual mãe não se entrega a simples esperança de ver seu filho no caminho certo? Qual mãe? Me diz?
A mãe que nunca acreditou e botou a mão no fogo pelo filho fique a vontade e atire a primeira pedra.
Essa acreditou como tem que ser, e o filho saía no horário do curso e voltava aproximadamente no horário certo, certa vez atrasou, chegou bêbado e drogado, parecia não ser o mesmo, não tinha nada que lembrasse aquele filho gerado nove meses, criado como a criatura mais importante, protegido, bajulado, talvez faltasse Toddy uma vez ou outra, talvez não tivesse o Danone e muito raramente espremia um pouco a receita da casa pra trazer um chocolate, mas carinho e amor não faltou, os maiores alimentos da alma não eram escassos ali, talvez por parte de pai sim, mas daquela senhora o filho tinha todo o afeto do mundo, mas nesse dia esse filho bateu e espancou sua mãe que chegou a ficar internada por quinze dias por causa da agressão, e quando foi ver ele não estava indo ao curso preparatório, mas sim se enveredando novamente no mal caminho. Pode ter acontecido dela falhar na presença, falhar na curiosidade com as amizades na fiscalização, afinal trabalhava arduamente para sustentar sozinha a casa, nisso pode ter falhado, mas ninguém é perfeito, fiquem a vontade para atirar mais pedras quem for e guardem um pouco para atirar em mim também.
Pois bem, não é fácil confortar o coração de uma pessoa desconhecida, não é fácil ver uma mãe chorando e não imaginar a sua mãe naquela situação, não é nada fácil presenciar isso e não chorar.
Chorei, chorei em silencio, chorei por dentro, minha alma chorou e choro agora. Mas que eu possa escrever sobre isso, que eu possa passar o sentimento para o papel, que o sentimento saia do papel irradiado pala luz que vai de encontro a alguma retina curiosa, que essa retina leve as letras ao cérebro e que essa massa cinzenta se encarregue de agrupar em palavras, de ordenar essas palavras em frases, que essas frases virem parágrafos e que no fim todo o texto se converta novamente em sentimento, que esse sentimento percorra o corpo em forma de eletricidade e por onde passar que faça arrepiar, que cause calafrios e que chegue ao coração, não o coração víscera, o coração sentimento, aquele coração que vai bombear para as pessoas com quem o querido leitor irá se encontrar, entre essas pessoas pode incluir a criadora desse leitor, sua mãe, sua gestora ou que seja sua criadora, que esse leitor olhe para sua mãe com a mesma retina com que captou o sentimento e que esse mesmo sentimento sirva de energia cinética que fará movimentar os braços que abraçarão. Que esse sentimento encontre uma brecha de saída vibrando pelas cordas vocais e que se traduzam em um limpo e sonoro “eu te amo”. Que assim seja.



Pedro Bragança

sábado, 14 de junho de 2014

Desacelere

O egoísmo é mesmo um obstáculo a ser vencido nessa vida agitada que vivemos, concorda?
Somos por natureza egoístas, cada um é o lobo de alguém, temos dificuldade em partilhar momentos na nossa vida, dificuldade em partilhar o pão, e até mesmo em partilhar um minuto que seja do nosso precioso, intocável e prescritível tempo. Somos de fato egoístas, só pensamos em nós mesmos, às vezes só enxergamos nosso ego, e fazemos de tudo para satisfaze-lo, ou para saciar sua fome de atenção e reconhecimento. A solução pra tentar mudar esse quadro e "desinflar" nosso ego, primeiramente é admitir tudo isso, depois de admitir e aceitar o fato de sermos imperfeitos, podemos tentar ser mais solidários nos pequenos gestos, por exemplo falar menos e escutar mais, escrever menos e ler mais, aparecer menos e enxergar mais o próximo, comecemos a praticar esses pequenos gestos, tratar às pessoas ao nosso redor com urbanidade, dar a cada um, um pouco mais do que cativou, porque não? Que tal saber o nome daquela pessoa que está sempre no mesmo ônibus que você todos os dias no seu trajeto de casa até o serviço? Tentar quem sabe, dar atenção a alguém que está carente disso, às vezes um bom e silencioso ombro amigo pode curar várias doenças, doenças da alma inclusive. Já sabe o nome da funcionária da faculdade onde você estuda? Aquela que liga seu ar condicionado ou limpa as mesas pra você não sujar sua calça nova? Já desejou um bom dia pra alguém hoje? Não deixe que a rotina corrida da vida moderna tire de você o prazer de viver pequenos instantes, quando o motor 1000 cavalos da vida "pedir marcha", pegue as rédias, pare de chicotear, tire o pé, desacelere.


Pedro Bragança

Educação padrão FIFA

Imagina que louco seria estudar, ter professores que satisfazessem suas dúvidas e perguntas mais gritantes!
Sentados num banco da praça olhando a marginal, inúmeros carros tornavam aquela visão algo espetacular, barulhos e sirenes emanadas de luzes que ofuscavam a visão eram a trilha sonora deste evento cotidiano.
Ela estava sentada no centro e do seu lado duas crianças de rua, pés e mãos sujas como o chão, e mentes férteis como a terra, enquanto escutavam mais uma história. Pelo menos uma vez na semana ela iria àquele banco de praça e iria ler para eles, semana passada foi "Mil milhas submarinas", eles que só iam à praia vender picolés ficaram entusiasmados com a ideia de uma aventura sob toda aquela aguá salgada, mas essa semana é um livro com mais ação, um exemplar da saga jornadas nas estrelas, e eles se sentiam dentro do livro, olhavam pra marginal e viam brotar daquela selva de pedra e cimento, estrelas e mais estrelas, pareciam estar em um cruzador inter estrelar que penetrava entre os carros desviando de forma violenta, tão violenta quanto os dias em que nao tinham histórias para ouvir e viviam de sinal em sinal torcendo pra chegar logo o "dia da fessora", era como eles chamavam aquele encontro semanal. Na história os heróis precisavam fugir do raio de atração do buraco negro para não serem sugados, mas os meninos mal sabiam que, assim como os heróis da história, eles lutavam todos os dias para não serem absorvidos pelo buraco negro do preconceito, pela chuva de meteoros da discriminação, e pela falta de oxigênio no vácuo da pobreza. Para aquela mulher cada encontro era o dia do aluno, dia do bem e dia de investir no futuro desse país.
As crianças são o futuro e a esperança do país, então olha a pedofilia, estão estuprando a nossa esperança todo dia. Eu quero viver pra ver isso mudar, e viver um pouco mais pra ver aquela professora com mais alunos, talvez eu seja teimoso e persistente, talvez eu faça "hora extra" aqui na terra para ver aqueles alunos em uma sala de aula de verdade.



Pedro Bragança

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Razão e emoção

Ele é o Pink e ela o Cerebro, quem não lembra daquele desenho infantil onde dois ratos de laboratório procuravam formas engenhosas e mirabolantes de dominar o mundo, pois é, ele é o Pink, o rato movido pela emoção, já ela é o Cerebro, razão em primeiro lugar, ela coloca o cérebro no lugar dele, lá em cima, primeiro ela pensa, repensa, pensa outra vez. "- E se acontecer isso? E se der errado? Mas se der certo?"  Minuciosamente ensaiado, experimentado, pensado, cada passo, cada sim e principalmente cada não. Ela aprendeu a viver assim, talvez alguma decepção tenha feito ela mudar, eu arrisco que antes ela era Pink também. Vou mudar a analogia, ele é Don Quixote de La Mancha, o lendário cavaleiro andante, uma história de 400 anos, livro mais lido no mundo, só perde pra bíblia, diga-se de passagem. Ela é Sancho Pança, seu fiel escudeiro, a razão, sua lucidez. Sancho Pança, auxiliava o seu amigo e amo, que era um jovem sonhador, maluco beleza, e Quixote imaginava um mundo diferente, idealizador, criava ambientes e verdadeiras batalhas com o coração, não dava um passo, não olhava pra nenhum ser, animado ou inanimado, sem ter sentimento. Em uma oportunidade, talvez a mais famosa da saga de Quixote e Sancho, ele (Quixote) enfrenta moinhos e pronuncia palavras heroicas afirmando ser dragões, Sancho pança com toda razão e sobriedade tenta alertar que são moinhos de vento, tarefa difícil, o sentimento tem uma força criadora incrível, tanto que acaba encontrando uma solução, inventa magos que transformariam os dragões em moinhos.
A verdade é que o sentimento não vive sem a razão, essa por sua vez não arrisca sem sentimento, parece que o coração realmente tem razões que a razão desconhece. Por fim não podemos separar Pink do Cerebro, nem Don Quixote de Sancho pança, muito menos ele dela.

Pedro Bragança

Pós dia dos namorados


Dia dos namorados me faz lembrar como tudo começa. Não estou falando sobre quando nos apaixonamos, pois isso eu lembro o tempo todo, mas do momento de ir à casa dos pais pedir a mão em namoro. Pode parecer brega essa tradição de ir pedir a mão em namoro, e realmente é, mas quem disse que o brega não é bom? Num mundo onde os namoros se iniciam com uma mudança de status em rede social e terminam com um bloqueio da pessoa na lista de contatos.
Ainda mais nos tempos atuais onde essa prática de ir até a casa da moça e conversar com seus pais ficou tão obsoleta. Pronto, lembrei-me de outra coisa intrigante, antigamente o rapaz ia e pedia a mão da moça para seu pai. Hoje em dia isso me parece meio que machista e preconceituoso, porque não a moça ir até a casa do rapaz e conversar com sua mãe? E tem que ser com o pai?
Não importa se é o rapaz que vai, se é a moça, se é para o pai ou para a mãe, eu defendo com unhas e dentes essa tarefa desconcertante que é pedir a mão da namorada. A situação é meio que vergonhosa, mas chega a ser uma passagem na vida do casal. Olha pra você ver, para chegar ao ponto de enfrentar os pais da pretendente tem que estar realmente amando ou pelo menos deveria estar. Não é nada fácil chegar à casa de desconhecidos, sentar em uma posição desconfortável de tão educada, tentar aparentar mais sério do que é de verdade, pois tem que mostrar que tem responsabilidade e não está lá pra brincar com o futuro da filha dele, e ainda por cima procurar falar de coisas que não está acostumado, como por exemplo, o resultado do ultimo jogo do time da cidade, ou uma reportagem sobre a guerra na Síria que passou nos noticiários na ultima semana.
Outra coisa, o futuro sogrão com certeza não vai facilitar, afinal sua filha nunca namorou antes, e ele está com o que eu chamo de miopia bi ocular crônica paternal, que nada mais é do que o fato de o pai enxergar a filha, já moça e pronta pra namorar, como uma pequena criança recém-nascida. Por sofrer dessa enfermidade o pai, e futuro sogro, irá demorar um pouco para aceitar aquele rapaz que mal consegue falar de tão nervoso, que mal tem barba no rosto, e que está sentado em seu lugar do sofá. Uma coisa que ajuda nessa aceitação são as lembranças da época que ele ocupava aquele lugar no sofá na casa dos pais de sua atual esposa.
O futuro sogrão depois de pensar bastante, fazer caras e bocas de seriedade, e se mostrar um pouco mais rígido do que realmente é, se vira para o rapazinho e pergunta:
- Chega de enrolarão, o que você veio realmente fazer aqui em minha casa?
O rapaz engole seco e pensa “é agora, coragem, você é um homem ou um rato?”, não sei por que, mas bate uma vontade desgraçada de comer um pedaço de queijo minas... Mas ele toma coragem estufa o peito e fala, em voz baixa, mas fala:
- Eu vim pedir a mão de sua filha em namoro!
O pai reflete, tenta não rir, tenta demonstrar incerteza, afinal não quer que seja fácil assim, depois de longos segundos, que para eles naquele ambiente pareciam uma eternidade, ele dá o veredicto:
- Mas porque a mão? Se você tem dela todo o restante do corpo? Tem a atenção, o amor e o sorriso, que há muito tempo eu venho admirando temendo que essa hora chegasse. Faremos o seguinte, eu deixo que namorem e deixo que fique com tudo, mas a mão não, a mão será minha, eu quero ficar com a mão, e segurarei firme, pois quando ela se sentir insegura ou menos amada nessa aventura e resolver voltar eu posso puxá-la novamente pra perto de mim.

A filha na outra ponta do sofá caiu em lágrimas. A mãe, que servia um café, se desconcertou um pouco com as xícaras. E o rapazinho, ah... ele simplesmente concordou com a cabeça e um firme aperto de mão, não disse nada, nem se quer um sorriso, nem um “não vou decepcionar”afinal, que pecado seria estragar uma declaração de amor de um pai à sua filha.


Pedro Bragança

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Meu querido rádio relógio

Porque quando estamos  amando, se é que amar é um estado, tudo que fazemos, olhamos, ouvimos, sentimos ou tocamos, nos faz lembrar daquela pessoa.
Paro pra pensar quando coloco a cabeça no travesseiro, e chego a conclusão que anormal é não amar e que o "estar amando" é o estado natural do homem, algo tão raro nesse mundo artificial.
Seria engraçado, mas ainda sim incrível, se o amor adquirisse algumas características de objetos criados pelo homem. Não que o amor precise ser sintético, isso jamais! Embora já existam alguns casos assim, de amor artificial, mas talvez o amor se tornasse funcional, fabricável, produzido em larga escala, com pleno emprego dos recursos, e distribuído de forma que sobrasse, aí está um produto que não seria desperdiçado.
Queria que o meu amor tivesse algumas características do meu rádio relógio por exemplo. Antigo ele já é, as nossas conversas carregadas de versos musicais, também é algo presente tanto no meu amor, quanto no meu radio relógio que a partir de agora será RR. Imagina que incrível poder colocar meu amor pra despertar varias vezes ao dia, todos os dias da semana, assim, quando eu estivesse agitado na correria do dia-a-dia, me surpreenderia e em seguida me acalmaria com o despertar sonoro do amor. Mais incrível seria se o meu amor tivesse a função soneca do meu RR, nossa! Ao acordar, bastaria um leve toque e voilá ! Mas dez minutinhos ao lado do meu amor.
A verdade é que meu RR nunca chegará, aos pés do meu amor quando o assunto é importância. Afinal, meu RR me acorda todos os dias pra ir ao serviço, já meu amor me acorda e me dá motivos todos os dias, pra viver.



Pedro Bragança

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Terra, um quadrilátero desigual

O mundo é um quadrilátero desigual, onde as pessoas vivem paralelas umas às outras sem se tocarem nunca, como as retas opostas que formam um quadrado.
Uma forma geométrica utilizada desde os primórdios, um planeta ainda virgem e inexplorado, onde corria mitos e medos, vindos de mentes criativas que, sem nenhum recurso faziam do planeta um mundo utópico e hostil. Imperava a ficção de que deuses e criaturas sombrias pairavam sobre a terra e dividiam o solo com simples e frágeis mortais. Uma caixa, o mundo para nossos antepassados era quadrado e a versão grega da história da maçã envenenada no paraíso conta a história de uma caixa, a caixa de pandora, onde quem abrisse seria detentor de todo o conhecimento, do que é certo e errado, e se assemelharia aos próprios deuses, tentador! Tão tentador como comer do fruto proibido no paraíso! Hoje em dia sabemos o que é certo e o que é errado, mesmo assim não nos assemelhamos nem um pouco a deus.
Hoje a caixa continua marcando presença, pois vivemos em uma grande caixa, nossa casa. Porque as casas não são redondas como os iglus no pólo norte? Passamos horas em frente a uma caixa que emite sons, caixas slim, espremidas de forma que parecem quadros, quadrados de alta definição que resfriam a casa com notícias fresquinhas, bombardeiam nossa residência com noticiários que às vezes nos deixam quadrados.
Saímos de casa e vamos para o serviço em uma caixa, não importa qual caixa seja, ou melhor, importa sim, pois você será muito criticado se dirigir uma caixa popular, apenas às caixas do ano fazem sucesso, e nem te conto se você vai pro serviço em uma caixa coletiva...
No serviço você trabalha em frente a uma caixa conectada a internet, atende inúmeras pessoas cada uma com uma caixa pensante, e você fica em sua cachola matutando “porque o relógio da parede é quadrado?” Precisa de uma caneta pega na caixinha de canetas, vai carimbar um documento e percebe que o carimbo é quadrado, olha pro calendário pra não colocar a data errada e percebe que ele é um quadrado cheio de quadradinhos que representam os dias do mês.
Fim do expediente, hora de ir pra faculdade, chega abafado por subir a rampa apressado, parece que seu pulmão irá romper sua caixa torácica, olha pro quadro negro, ele é branco, mas ainda sim quadrado, seu amigo de turma pergunta se você gostou do novo quadro de algum programa de TV, você não prestou atenção naquilo que ele falou, por isso você fica todo quadrado por não ter resposta.
Volta pra casa e abre uma caixa de leite, pega a faça na gaveta, que nada mais é do que uma caixa numa grande caixa, o armário.
Antes de dormir dá uma olhada na sua caixa de email, e na sua caixa de mensagens do celular.
 Vira pro lado na cama e olha pela janela, a lua parece quadrada olhando daquela abertura na parede, você pensa filosoficamente em como é possível o mundo inteiro caber ali naquele quadrado que é sua janela e vai mais fundo quando percebe que o final de todo ser humano é uma caixa a sete palmos do chão.
Então devemos viver nesse mundo quadrado, correndo atrás dos nossos sonhos e tentar arrancar das pessoas sorrisos redondos, pensamentos redondos e atitudes redondas, passar por esse mundo quadrado e ser feliz enquanto estamos na vertical, pois o tempo passa rápido e a qualquer hora ele pode se encarregar de nos colocar na horizontal.



Pedro Bragança

Bibliotequice conjugal

É preciso virar uma página para ler a outra, e quando o livro é ruim devemos colocá-lo na prateleira e escolher outro que te faça feliz. A vida em si é como um livro, um não vários livros, nela encontramos todos os gêneros e gostos, há quem viva um belo romance policial, ou quem se perca em universos maravilhosos de ficção, outros preferem viver um drama, ou um dramático terror. Podemos então dizer que vivemos com certa “bibliotequice”. Não importa que livro você tenha em mãos, leia, digo viva. Tem que viver de verdade, se sentir vivo, e isso vai além de folhear paginas e mais paginas borradas com letras Arial tamanho 10 (dez).
Certa noite eu li um livro, a personagem principal era uma mulher que passava por um dilema comum na vida de quem tem sentimento. Como terminar um casamento sem deixar o próximo triste? Era tudo que ela queria saber naquele livro cheio de reflexões, risadas e expressões sérias. Olha que livro se tornou a vida dela, ela se sentia só, o marido já não se assemelhava aquele que cuidava tanto dela, pois aquele que era atencioso já não estava presente ali, ele nunca a chamou de “amor” apenas “bebê”, ta certo ninguém é perfeito, mas no começo a tratava como tinha que ser, como única, uma esposa infungível! Mas tudo foi mudando, o marido que antes sorria e sentia prazer em conversar bastante, em saber como foi o dia de sua “bebê” ( kkk não consigo não rir nesse bebê) agora era frio, não dava atenção, deixaram cair na rotina, é que quando não se tem amor fatalmente vai cair na rotina, e com isso ele estava prestes a perder a melhor mulher da vida dele.
 Foram apenas três anos de casamento, mas pra ela foi uma vida, ela se dedicou ao máximo por ele, por eles juntos, fez planos, sonhou, sempre tentava fazer dele o homem mais feliz, sorria pra ele mesmo em dias ruins, quando não estava perto ligava só pra conversar um pouco. Para ele isso era um sacrifício, não gostava de conversar muito, era cheio dos “não me toque”, me lembrou muito alguns homens e mulheres que mudam do vinho pra água só para que a companheira termine o relacionamento e ele saia como vítima. Ela, que já vivia muito tempo sofrendo com isso, não sabia como terminar, sabia que é isso que queria, sabia que não o amava de verdade, mas mesmo assim se recordava dos momentos felizes e que estes mereciam um mínimo respeito. Demorou mas viu que precisa gostar de si também, precisava se valorizar, se deu conta que era nova e precisava viver uma vida feliz, talvez se apaixonar outras vezes.
Se hoje ele sabe a dimensão que a cama tem e a mesa do café é farta de solidão é porque a falta que ela faz na vida dele entra em ironia com a vastidão de mulher existente no planeta. Antes de ela o abandonar, ele já havia abandonado ela, dentro de casa ele era literalmente um cego procurando a luz na imensidão do paraíso. O dia não é mais tão bom sem o telefonema com a voz doce dela pronunciando palavras de carinho, ela que agora acordou pra vida vai procurar alguém pra dividir aquela preguicinha de segunda-feira, das várias fatias do bolo ela era aquela com a cereja, quando ela sorria tudo parecia mais lindo, mas ele não enxergava, preferia a companhia dos amigos e falar de futebol, deixou de falar de amor, deixou de elogiar o novo corte de cabelo dela, mesmo sabendo o sacrifício que ela teve “fechando a boca” e caminhando para chegar ao final de semana e caber naquela calça, só porque ele já tinha elogiado uma vez, ele não era capaz de elogiar. A sua alma fria matou o que ela tinha no coração. Hoje ele lembra que quando demorava ela entendia, falava e ela acreditava, chegava ela sorria e fingia estar brava, mas só queria sua companhia. Agora ela vai querer alguém pra dedicar o pôr do sol, com a certeza que não é, mas vai estar se sentindo a primeira.
 Eu não li o livro todo porque é daqueles livros que devemos ler pausadamente, devemos apreciar cada detalhe, cada sorriso, cada vez que a voz fica mais baixa ou se exalta, parece que o livro que no começo eu disse ser como a vida, é também como os relacionamentos, então escolha um livro certo, dedique, você tem a vida inteira pra ler, então escolha um que não vá te decepcionar, na verdade não tem como saber se o livro ou o relacionamento vai te decepcionar, então leia, viva pro seu livro, mas viva pra você também, e não decepcione seu livro, esteja sempre presente ali pra rir com ele,  pra viver muitas aventuras, para passarem vergonha juntos, sofrer juntos, mas ser feliz juntos também.



Pedro Bragança

terça-feira, 10 de junho de 2014

Copa, copinha e copalidade

Falta um dia! Um dia pra ir ver o Brasil jogar e esquecer de ver o Brasil chorar. Mensalão, mensalinho, mensalidade. Fraude, corrupção e violência fazem parte da condição humana.
Antecipação de receita ou apropriação indébita, grampear ou escutar telefonemas sem autorização judicial, transformar ou fraudar óleos comuns em azeite de oliva, adicionar água no leite, soda caustica e água oxigenada, escrever artigos ou reportagens com o propósito de extorquir dinheiro ou outras vantagens, politicagem, charlatanismo, mordomias, proxenetismo, furto em bomba de gasolina, sonegar contribuições previdenciárias, engarrafar ou comercializar água comum alegando ser água mineral, efetuar acordos partidários espúrios, vender carnes oriundas de animais que morreram de doenças, furtar no peso ou na medida, bancos que cobram tarifas indevidas ou exorbitantes, exercer a medicina sem observar princípios éticos tradicionais, simular-se enfermo com a intenção de conseguir auxílio-doença ou aposentadoria, peleguismo sindical, sites que oferecem ou divulgam coisas negativas ou criminosas, fraudar transferência de titulo eleitoral, sociedades fantasmas, forjar milagres ou descarrego, intitulando-se iluminado ou mensageiro de Deus, adulterar remédios, bebidas e certos alimentos, depositar dinheiro de outrem ou de repartição pública em conta particular, falsificar obra de arte, intitular-se mediador entre os homens e Deus, anunciar o fim do mundo marcando data inclusive, simular possessão demoníaca, excesso de desmatamento, pedofilia, vender vagas no céu, vender lotes na lua, sonegar tributos, mentir, omitir...
Quem de nós já não fez algo de corrupto? Seriamos, em ultima análise, todos corruptos?
Falta um dia, volto a dizer, a seleção entra em campo, e um manto invisível é atirado sobre a população carente, o grito de clamor dos moradores de rua serão abafados pelo som das vuvuzelas, os protagonistas estarão em campo, com suas chuteiras Nike, a mídia investiu em tecnologia, as lojas faturaram na venda de promessas e de televisores de altíssima definição, daqueles onde podemos ver o suor descendo no rosto do torcedor que grita cegamente no estádio. Eu digo cegamente porque ali dentro do ''coliseu'' não se pode ver Roma, digo Brasil, as luzes dos holofotes ofuscam a miséria e a pobreza padrão FIFA.
Pão e circo, digo futebol e cerveja, tudo que o brasileiro gosta não é mesmo? Não. Não há como não se emocionar ao ver o hino nacional cantado à capela, mas também não tem como não se emocionar ao ver uma criança com fome na rua chorando à capela. Devemos sim receber todos os visitantes com respeito, mas devemos olhar com respeito para o nosso chão também. Que essa copa seja o evento menos corrupto do Brasil. Que as melhorias que estão sendo feitas em aeroportos, estádios, sistemas de telecomunicações, internet e celulares, permaneçam depois da copa e que possam ser usufruídos por brasileiros, que os lucros, que não serão poucos, sejam aplicados nas áreas mais carentes. Que após a copa, possamos ver mudanças no Brasil e assim possamos comemorar de verdade.
Já tirei meu manto verde amarelo do guarda roupas, já pendurei a flâmula na parede do meu quarto, então, que o Brasil seja hexa campeão no futebol e que algum dia seja campeão, pelo menos uma vez, na educação, saúde e infra-estrutura, para que eu não precise esconder novamente a camisa e bandeira no fundo do guarda roupas. É taça na raça Brasil!




Pedro Bragança

Apresentação


Boa noite, 
Parece que nosso horário de encontro vai ser sempre esse, à noite.
Escritos no vento, o nome não foi nada premeditado, eu poderia agora inventar que as palavras aqui escritas são as mesmas sopradas pelo vento, que os textos aqui escritos serão para os olhos como uma brisa calma e mansa que massageia a face, ou quem sabe dizer que a força da revolta aqui registrada se assemelha aos ventos de uma tempestade tropical que arrastam consigo tudo que vê pela frente.
Mas não, não posso mentir, afinal preciso que acreditem em tudo que eu escrevo, porque é preciso confiança entre o autor e o leitor, assim como não pode haver distancia entre o que eu escrevo aqui e o que eu faço na vida real, quanto a isso não precisa ter medo, sou cópia fiel dos pensamentos que aqui registro. Talvez eu escreva com mais intensidade, ou talvez eu seja mais brando com meus sentimentos, isso são detalhes, que não podem tirar o gosto da leitura.
Voltando ao porque do nome, a verdade é que não encontrei disponível o nome que eu queria para o Blog, eu queria colocar o nome “Papel, caneta e coração”, mas alguém por aí já teve a honra de escolher esse nome, fiquei frustrado, entretanto feliz por saber que existe por aí pessoas que se dediquem a escrita com a mesma emoção.
Um dia tive um plano genial, coisa de louco, eu resolvi ser escritor. Mas eu não queria escrever romances ou poesias, queria escrever crônicas, queria deixar minha opinião em jornais e revistas sobre os mais variados assuntos cotidianos, não sabia por onde começar, resolvi começar lendo. Li de tudo um pouco, desde os mais ilustres personagens da nossa literatura até o menos reconhecido escritor. Tornei-me escritor. Tudo bem, um escritor até um político vira, com exceção do intangível Tiririca, agora, um bom escritor eu ainda chego lá. Com essa ideia na cabeça eu escrevi 365 crônicas.
Bom, sempre sonhei em escrever para um jornal famoso, ver minhas crônicas sendo lidas e comentadas em diversas partes do país, seria maravilhoso, e eu ainda não desisti disso, daí o motivo de 365 textos, caso eu conseguisse um contrato com algum jornal teria um estoque literário para não decepcionar os queridos leitores, poderia fornecer do meu incrível arsenal cultural uma crônica por dia, durante um ano, ou se fosse publicar uma crônica por semana teria um estoque para sete anos e se fosse mensal trinta anos.
Tudo bem que se fosse um contrato de trinta anos minhas crônicas ficariam arcaicas diante dos avanços tecnológicos, dos carros voadores, da água artificial, da vida em marte e da lua toda loteada por burgueses norte americanos, eu teria que adaptar meus textos, mas tudo bem.
Essa pequena apresentação será considerada minha crônica de número 1, agora tenho 364 para publicar aqui nesse humilde blog. Abraços.

Pedro Bragança