segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sapucaia

Ai que vontade de partir
Sair desse lugar, desse tempo
Fugir daqui, procurar o que me faz sorrir
Sentir que vivo, e não apenas existo,
Que em uma cidadezinha longe daqui existe um motivo
E esse motivo de tão forte só pode ser o amor
- Bom dia amor, está na pracinha?
O encontro está marcado!
Todos os dias no mesmo horário
Uma forma de encurralar a saudade e deixá-la presa
Mas se o encontro for curto acontece o contrário.
A saudade, essa sapeca, escapa
Remete meus pensamentos à Sapucaia
E ela faz maldade, seus efeitos então...
Dentro de mim causa uma tempestade
Uma vontade louca de estar ali, bem juntinho
O cheiro do Egeo que passa pela rua não se compara
De forma alguma à mistura de aromas que ela tem
Aquele cheiro único me envolve tanto
Sei que preciso ser forte pra não sucumbir à saudade
E me acabar em pranto
- Já te disse hoje o quanto você me faz bem?
Que cabeça a minha, estou perdido em meus pensamentos
Em minhas vontades, saudade, tormentos.
- Muito, muito, muito mesmo!
Creio que o mundo mudou meu bem, para o bem
Agora está mais colorido, mais musical
Sinto saudade dos seus cabelos
Nos incomodando entre beijos e abraços
Ah... aquele abraço...

domingo, 14 de dezembro de 2014

É normal

Os dias serem lindos quando passo com você!
O ruim é saber que quando passamos muito tempo juntos
Uma hora ou outra você terá que ir embora
E eu fico me perguntando:
- Deus porque ela não é minha vizinha?

Eu morro de saudade de você, sim
Por isso aproveito ao máximo cada segundo,
Cada instante procuro acompanhar ao máximo todos os momentos
Pois sei que não posso perder
Nem sequer meio sorriso
Ah... por falar em sorrisos
O seu é incrível!

Tem o poder de me levar ao céu
Isso tudo sem sair do chão
Seu sorriso me deixa bobo, me mostra o caminho.
Sonho todos os dias
Com um dia em que nos veremos todos os dias
E viveremos juntos

Pra sempre


Pedro Bragança

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Rejeição


Ó filho de saturno
Tu que me bendizes amante sagrado, profano
Símbolo da persistência e persuasão.
Vós que me embriagastes com suas histórias
E na relva da escuridão iluminastes a inquietude da rejeição.

Sei que trilhei o mesmo caminho, a princípio
E mesmo de forma extemporânea
Rendia-me aos encantos de Dafne
Creio que todo homem tem dentro de si um Apollo,
Creio que toda mulher tem dentro de si uma Dafne, filha de Pneu

Que envenenada pela flecha de chumbo do cupido
Carrega em suas veias, a seiva da rejeição
O que fazer, quando em seu peito arde um fogo da flecha de ouro?
Maldito seja o cupido, maldito seja o amor

A quem estou enganando?
Bendito seja o amor, bendito seja!
Amor que me faz levantar, que me motiva continuar,
Sei que no fim minha Dafne não se tornará arvore
E esse amor enraizado dentro de mim, florescerá.


Pedro Bragança

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Milênio

Posso passar mil anos
Me reencarnando em versos
Me propagando em um universo
A cada letra colocada no papel

Para a eternidade
Porque escrever é viver
E ser lido é nascer
Em outro corpo

Outra vida
Como sementes no bico
De pássaros fecundados
Semeadas em terra
Ou jogadas ao vento

Vagando sem direção
Ou com direção
Pois existe uma força superior
Que governa tudo a minha volta

Se faz frio ou calor
Se nasce ou morre
Renasce, se consome

O que seria a vida
Senão uma grande roda
Completada por aqueles que arriscam?

Temer a morte
Em si é já estar morto
Temer escrever o que sente
Em si, é nunca ter nascido

Podem se passar mil anos
Sem uma caneta, um papel, um verso, um amor
Um milênio seria tão efêmero
Quanto um piscar de olhos.


Pedro Bragança

A sexta-feira mais curta da minha vida

Geralmente comemoramos uma sexta-feira
Fim de semana é sempre bem vindo
Mas aquela sexta traiçoeira
Eu preferia não ter vivido
O dia começou tranquilo
Eu fui pro trabalho apressado
Não sabia o que estava vindo
Não temia o inesperado
No serviço eu queria ir embora
Algo apertava o coração
O destino me colocou a prova
testou minha emoção
Por volta de dez horas
Antes de almoçar
Me veio a noticia
Eu me recusei a acreditar
- Seu vô Zuza faleceu
Fui tomado por uma intensa dor
Ali o meu eu se perdeu
Ali minha sexta-feira acabou
Eu me perdi no tempo
Não consigo me encontrar
Todas as noites eu tento
Meu sorriso recuperar
Embora eu não pare de tentar
Sei que é uma busca inútil
Perdi minha sexta-feira
E parte da minha vida
Das lembranças vividas
Das birras por algo fútil
Naquela sexta-feira e até hoje
Me sinto um completo inútil
Que não fez nada pra mudar
De mãos atadas
Quando meu avô morreu
Eu não estava lá
Pra me despedir
Ou quem sabe o salvar
Nada que eu escreva
Nada que eu fale
Irá mudar
Mas, dois anos se passaram
E embora eu não escute
O bater de martelo
Daquele velho carpinteiro
Eu sinto sua presença
Até na chuva que molha o terreiro
Aquela foi a sexta-feira mais curta
Que eu vivi em toda minha vida
E ela ainda não passou.



Pedro Bragança

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Um vazio intragável

Quão vazias são as pessoas que não sabem amar
Sem brilho nos olhos
Mais vazias aquelas que tem medo de amar
Sem sorriso bobo ou,
Alegria permanente

Das primeiras eu tenho dó
Mas sei que ainda irão aprender
Afinal, amar não é tão difícil
Das segundas eu tenho pena
Quem teme amar não vive, existe

Pessoas mortas por dentro
Morte espiritual, morte da alma
Para essas a vida não tem cor
Levam uma vida monótona
Intragável, maçante

Pessoas que não se arriscam
O medo de amar inibe os sabores da vida
Tenho medo dessa gente
Vazios, sem alma
Se não amam, não falam de amor

Fogem dele (do amor) como o diabo foge da cruz
Invejam quem fala de amor
Invejam quem ama com facilidade
Não evoluíram o bastante pra amar
Tamanha inveja, magoa.


Pedro Bragança

sábado, 11 de outubro de 2014

Sexta-feira anoite


Um coração aflito e desesperado de quem se perde a cada dia dentro de seus próprios pensamentos. Fácil encarar os desafios com vontade e valentia quando se está bem consigo. Coração valente.

Vivo me perdendo em sonhos tão reais, me enveredando em madrugadas tão vazias quanto esta, a procura de um motivo pra sorrir. Meu amor está longe, tão distante fisicamente que me aperta o coração não poder tocá-la.
Preciso de uma vida nova, preciso acreditar em algo, ter fé. Poder crer que posso levantar todos os dias por mim, só por mim. Sou inimigo desse silêncio, tenho medo de me aventurar em meus pensamentos e não voltar, deixar a insanidade me dominar. Mas em um mundo tão turbulento e injusto, toda cautela é pouca. Não me perder, é isso que eu preciso ter em mente. Não me entregar de mãos beijadas ao acaso.
O brilho das estrelas nesse imenso e negro céu me mostram que é possível ser forte. Me revelam que nem a mais densa camada de tristeza e saudade podem ofuscar o brilho de uma alma que deseja mais do que tudo voltar a sorrir. Eu posso tudo que eu quiser, querer é poder na medida do meu esforço. O meu tempo ainda vai se adequar aos planos do grande arquiteto do universo e junto dele as coisas irão se concretizar.
Volta logo pra perto de mim, me ajuda, me ame. Se posso sorrir em flash por entre sólidos momentos de tristeza é porque tenho um amor único, que não desiste de mim. Poderia perder tudo, mas sem amor...



Pedro Bragança

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Descobertas


A vida é cheia delas
Aprendi isso quando me vi diante da maior descoberta da minha vida
Você!
Te descobrindo, me descobri,
E juntos descobrimos aos poucos o que é amar de verdade.
Eu descobri de forma lenta
Que para conquistar deveria primeiro
Te deixar partir.
Irônico não?!

Mas foi assim...
Precisei deixar livre, solta,
Porque só assim você me enxergou
Enxergou que é o amor da minha vida
E que o amor da sua vida sou eu.
Agora, juntos, descobrimos o mundo
Digo isso porque o meu mundo é você!

 Descobri enfim, que você pra mim
É como aqueles livros sensacionais,
Que mudam a nossa vida, que nos reinventa,
Que muda nosso modo de pensar,
Aqueles livros que são tão bons, mas tão bons
Que se acabam deixam aquela sensação

De que a vida não tem mais sentido.



Pedro Bragança

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

D.R


Fui até a casa dela, matar a saudade, contar sobre meus dias escuros e frios sem a presença dela, meus dias chuvosos e monótonos sem o amor, enfim, fui amá-la como ninguém jamais amou.
Voltei de madrugada, mas voltei sorrindo, efeitos colaterais de um dia inteiro ao lado dela. Meu amor tem um jeito tão inocente de ser, somos cúmplices um do outro, nos completamos. Nosso amor é singelo, mas ainda sim consegue se agigantar diante dos obstáculos, diante dos problemas e desentendimentos que acontecem sempre. Não se pode evitar aquelas discussões, isso eu falo com bastante propriedade, pois em cada discussão eu tenho vontade de sair correndo, de deixá-la falando sozinha já que quando um não quer dois não brigam, mas brigam sim, ainda mais quando os dois não querem, aí que brigam mesmo. Ontem nós brigamos, aquela velha discussãozinha de sempre, pra mim não passa de uma disputa pra ver quem ama mais, e com eu amo ela muito mais sempre dá uma briga feia.
Cada encontro com ela é um aprendizado novo sobre o amor e sobre o amar. Dessa vez eu cheguei à conclusão de que os casais devem discutir sim, mas discutir com amor, fazer de cada briguinha um degrau de aprendizado, discutir, mas respeitar, se colocar no lugar do outro é muito difícil, mas dá certo, então se for pra brigar que seja devagar, assim sobra tempo pra pensar, pra escolher com carinho as palavras. Discutindo bem devagar sobra espaço pra uma troca de carinhos, um beijo aqui outro ali, um eu te amo aqui e outro lá, o importante é deixar bem claro que ama e que depois da briga irão se amar ainda mais, com mais intensidade, com mais segurança, talvez seja pleonasmo e um pouco redundante mas, depois da tempestade irão se amar com mais amor.




Pedro Bragança

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Um apelo em letras garrafais

Ipatinga, 23 de maio de 2012.
Procuro um amor. Um amor daqueles mágicos, que mexa comigo. Um sentimento que de tão intenso se manifeste na pele. Um amor que de tão forte procure uma rota de fuga pra fora de mim.
Quero um amor que me envolva, que nasça dentro de mim e que após amadurecer exija alguém pra compartilhar. Procura-se.
Vou fazer um retrato falado assim que meu amor ganhar um rosto. Irei colar cartazes nos muros grafitados da cidade, usarei uma fonte enorme pra ser notado, talvez eu grafite também. Colocarei frases de efeito ou algo bem romântico, usarei de argumentos convincentes para que o amor veja o quão dependente eu sou dela. Espalharei nos jornais, na sessão de classificados para que o amor se candidate, deixarei meu número e endereço. Onde puderia estar vagando meu amor?
Contratarei um carro de som e pelas ruas da cidade se ouvirá nossa música tocando ao fundo, enquanto no primeiro plano, em um tom mais alto, será recitado Shakespeare ou Carlos Drummond. Os panfletos eu irei distribuir pessoalmente, já quanto aos banners e outdoors vou precisar gastar um pouco pra fazer. Preciso muito mesmo encontrar meu amor. Vou gastar minhas economias nisso.
Porque se esconde de mim o amor? Acaso não entende que sem ela não vivo?
Cada dia, cada segundo que passo sem ela é como se parte do meu ser perecesse. Não significa dizer que amo menos, pelo contrário, amo cada vez mais. Só que um amor fragmentado dentro de mim.
Irei dar queixa na polícia. "Doutor delegado, perdi o amor, e já faz horas, veja meu estado, me ajude." Vou precisar fazer um retrato falado, mas como? Preciso descrever um sentimento indescritível. "- Olhe pra mim me desenhe, porque eu sou todo amor, tanto dentro, quanto do coração pra fora."
Deixo aqui escrito um apelo em letras garrafais, perder o amor pra mim foi como tomar uma caixa de comprimidos letais e agora estou perdido nesse mundo de desamor, sendo cortado por dentro pela saudade de algo ou alguém que ainda não tive o prazer de conhecer, mas que já amo com toda força que existe dentro de mim.







Pedro Bragança

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Brilhar em vida

Digo coisas que eu não sei explicar. Como se algo que tomasse conta do meu ser, assumisse o controle e pronunciasse de forma exagerada meus sentimentos. Uma força estranha que tira dos meus sentidos a censura e me torna, de forma estranhamente incomum para uma vida moderna, uma gritante vitrola, que grita aos quatro cantos o amor que existe aqui dentro.
Sinto-me como um pedaço de papel dobrado ao lado de uma caneta. Inesperado, surpreendente, inequivocamente inspirador. De forma singela, devo pedir desculpas por isso, vou levando uma vida imprevisível, instável. Como um vulcão adormecido que a qualquer momento pega de surpresa quem de mim não espera nada.
Uma estrela brilhou mais forte, e com um tom sereno escutei o eco do vento que trafega pela rua. Gelado. Creio que assim como as estrelas é o nosso sucesso, seja em qual área você deseja brilhar, surpreender.  Ninguém brilha em cima de ninguém, cada um tem espaço reservado no imenso caos do universo em que vivemos. E quantas estrelas ainda não brilharam. Quantas ainda estão inflamando de forma grotesca e insistente. Quantas estrelas já se apagaram e mesmo assim ainda banham nossa face em uma noite escura de tão forte que brilharam em vida.
O fato é que pra brilhar tem que insistir. Nenhuma estrela preenche o céu da noite pro dia, e nenhuma estrela deixa de brilhar por que é dia. O brilho de cada uma está lá, mesmo que não possamos enxergar, sabemos que a noite virá e o sucesso de cada um estará lá pra enfeitar o denso preto noturno.
O que seria do céu sem as estrelas? Talvez continuasse a ser o céu, assim como a vida continua sendo vida. Quero um dia brilhar forte, brilhar em vida. Não brilhar pra mim mesmo, não iluminar meu próprio ego. Quero poder ser luz pro mundo.
Se um dia eu tocar um coração, valeu cada segundo de insistência. Valeu cada letra, cada fonema. Que nossa faísca não seja em vão, que inflame. Que a vida continue pulsando e que em cada pulsar vital, o mundo ganhe mais uma estrela. Pra ofuscar o brilho de uma estrela tem muitos, agora, gente pra incentivar um brilho estrelar de um jovem astro tem poucos.
Creio que o mundo precisa de mais amor, mais carinho, mais sensibilidade às coisas espirituais. Não sou fã desse mundo de sentimentos rarefeitos, onde o desejo de sucesso consome cada vez mais a energia que precisamos para viver bem. Só vive bem quem ama. Não foi uma especulação, nem um palpite. De fato quem vive bem sem amar, não sabe o que é viver. Porque o viver e o amar são umbilicalmente ligados, de forma a se completarem e não existir separados. Ame, nem que seja amor próprio. E por fim, brilhe! Não deixe que o buraco negro da inveja e da falta de fé leve de você a sua essência, seu brilho.


Pedro Bragança

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Crônica do Sol

Eu estou te amando essa manhã. Amando um pouco mais do que as outras manhãs. O dia amanheceu devagarinho, mais devagar do que de costume, o sol demorou a brilhar, foi aos poucos, no céu próximo as montanhas um enorme degradê se formou, ia do negro e denso preto noturno passando pelo laranja mecânico até se misturar no nítido amarelo solar e se consumar num sereno e homogêneo azul.
Mais uma vez a natureza imponente conspira ao amor que sinto por você. O "eu te amo" matutino que eu costumo enviar por mensagem está aqui sufocado entre a boca e a faringe, obstruindo o ar de tal forma que, mais do que nunca, não posso respirar sem dizer o quanto te amo. Minha garganta grita em silêncio o quanto minha alma ama a sua. Chego a conclusão que nossas almas, mais do que nunca, são uma só. Interligadas por um mundo oculto, místico e esotérico, como se por magia tivessem sido separadas. Carrego comigo a tese de que por milhares de anos andamos ligados, uma alma, plena em todos os sentidos, mas uma força estranha nos separou, ordenou que vivêssemos separados para entender que a verdadeira plenitude só é alcançada a dois.
Só seremos completos de verdade quando nos amarmos com toda intensidade, sem condições, sem "se", sem "mas". Esta manhã me senti mais completo do que nunca.
Essa manhã eu acordei de um sonho e me peguei sonhando novamente, só que desta vez olhando pro céu lá fora e ignorando o céu dentro de mim. Foi mágico ver o esforço do astro rei em se desvencilhar das montanhas para trazer luz e calor. Nós dependemos dele para viver, as plantas também precisam, e parece que sol sabe disso, tamanha é a força para sair em cima daquela cordilheira rochosa. Me indaguei o que estaria fazendo de esforço para brilhar e proporcionar vida a outras pessoas, não me veio a resposta, por isso abaixei a cabeça e puxei forte o ar, agradeci ao sol.
A luz da sua alma me ilumina de tal forma que seriam necessárias mil montanhas para me privar do banho de sua luz, eu escrevo para sua alma agradecendo, o remetente é minha alma também, meu corpo é só o instrumento. E por meio dele - meu corpo- eu demonstro a cada segundo, a cada respiração, o meu amor.
Te amar me fez sentir vivo, nesta manhã me senti mais vivo do que nunca.
Quero que seja assim todos os dias de nossas vidas, acordar pra te amar ou na melhor das hipóteses, acordar porque te amo. Acordar e ver o sol brilhar dentro de mim.



Pedro Bragança


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Silêncio, maldito silêncio


Mas porque, cargas d’água esse silencio?
Acostumado com carros, buzinas, conversas
Agora em meio ao silencio da roça
Ouvindo o som do sabiá
E o borbulhar da água na taboca.
Silencio que me tira a agitação
Me deixa calmo, preguiçoso demais
Será que viver muito tempo nesse silencio eu sou capaz?
Volta, por favor volta barulho
Volta e traz contigo aquela dorzinha de cabeça no final do dia
Não agüento mais essa saúde,
Quero de volta meu stress
Cadê aquele sapato que me dói os pés?
O latejar do calcanhar naquelas ruas conturbadas
Me deixou saudade
Agora nessa paisagem,
Bela paisagem, não vou negar
Eu vejo o luar, escuto o beija-flor pairar
E me pego a imaginar
Aquele barzinho com gente alegre
Como será que está?
Eu que nunca deixei de escrever
Olha pra você vê
Não sei o que fazer embrulhado nesse silencio absoluto
Por isso aqui descrevo o dia que fiquei de luto.
Luto pelo barulho
Luto também pra sair dessa quietude
Quero poder voltar a gritar com as pessoas no transito
Ah, tempo bom, sinto saudade.
Pare de piar, maldito sabiá
Mesmo a quilômetros de mim
Insiste em me incomodar
Espere pra você ver
Pra cidade eu vou voltar.
Cansei de reclamar, meu avô, falecido avô
Me chamou pra pescar
O riacho parece estar na mesma direção onde cantava o sabiá.
Eu sabia!
É, dessas primeiras quatro horas na roça
Pra sempre vou lembrar.




Pedro Bragança

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Exagerado

Uma palavra que me descreve
Descreve também o meu amor.
Exagerado, as vezes inconsequente
Mas é um sentimento intenso, disso ninguém tem duvida.
Difícil de lidar, eu confesso
E ainda mais difícil descrever ou falar
Talvez por isso aquele ídolo, Cazuza, resolveu cantar.
Isso mesmo, aquele Exagerado, sim!
O mesmo que se joga aos seus pés.
Bom, Agenor de Miranda Araújo Neto deveria pagar direitos autorais
Mas ai eu penso melhor
Não tem porque cobrar algo que eu grito todos os dias
Grito aos quatro cantos do mundo, sou mesmo exagerado
Surpreender-me-ia se Cazuza não escutasse,
Surpreender-me-ia mais se ele não transformasse isso em canção
Ainda sobre esse sentimento, exagerado,
Acho que não é possível senti-lo aos poucos
Acho não, tenho certeza!
Não sei senti-lo devagarinho.
Exagerado!
Gosto de gritar e fazer graça, chamar atenção
Pois, pra mim não adianta apenas você saber.
Eu quero incomodar a todos com esse exagero de amor.
Pois a verdade é que sou sempre coração,
Tanto por dentro como do coração pra fora.


Pedro Bragança

sábado, 9 de agosto de 2014

O garante legal do amor

Garante legal, entrando um pouco no mundo jurídico, é aquela pessoa que tem o dever perante a lei de proteger, salvar e zelar pela vida do próximo que esteja em uma situação de risco eminente. O exemplo clássico do policial que tem o dever de proteger, ou o pai e a mãe detentores do poder familiar que possuem o poder familiar e averbado a ele o dever de proteção ao filho.
 Trazendo para o nosso mundo, mundo de sentimento que anda paralelo ao mundo da seriedade cotidiana. Creio que um mundo invisível aos olhos, mas sensível ao coração. No nosso mundo devemos ser, por força da lei natural, o garante do amor, fazemos isso como o policial, como o pai e a mãe, fazemos isso automaticamente, sem titubear, quase que por instinto, tentamos proteger o amor a todo preço. Isso é lindo demais!
 Proteger o amor, cuidar dele com carinho, atenção. Talvez o único e grande erro que podemos cometer é amar demais, cuidar tanto e esquecer de nós, proteger muito e abafar o amor. Deixe o amor respirar! Deixe o amor movimentar, o que não movimenta morre, tem que deixar respirar. Como um pássaro que tem como essência do próprio ser, o vôo. Se prendemos o pássaro em uma gaiola temos sobre ele o controle, podemos cuidar dele sim, mas tiramos dele o próprio súmus, a essência, de certa forma ele deixa de ser pássaro. Não queremos que o amor perca a essência e deixe de ser amor, queremos um amor que pouse em nossos dedos ou no ombro e que mesmo livre seja nosso, um amor ligado por laços invisíveis, que paire sobre nossas cabeças e que nos proteja também.
 Desse amor seremos o norte, a referência. Quando se encontrar perdido, seremos sua luz, tem coisa mais linda do que ser a luz do amor? Saber que perto ou em pleno vôo aquele amor é nosso e que mesmo que os anos se passem nada abalará esse sentimento. Seja o garante do amor, cuide, proteja, mas acima de tudo deixe o amor respirar, deixe o amor te amar também, do jeito dele.


Pedro Bragança

domingo, 3 de agosto de 2014

Mini Saia

Certo dia assistindo uma palestra sobre o novo Código de Processo Civil, foi feito uma analogia da palestra com a mini-saia, de fato a palestra deve ser como essa vestimenta feminina, grande o suficiente para cobrir o assunto, e curta o suficiente pra despertar o interesse.
Brilhante! Realmente assim deve ser, mas deixando de lado a palestra eu pensei em outras coisas que também devem se assemelhar à roupa feminina, são vários aspectos na nossa vida, é aquela fila do banco, são aqueles acréscimos dado pelo árbitro no final da partida que seu time precisa segurar o resultado, é aquela caminhada pra manter a forma (curta o suficiente pra despertar o interesse). Enfim, essa analogia com a mini-saia pode ser empregada em vários assuntos no nosso dia a dia, isso porque estamos em um mundo em que não se tem a paciência de antigamente, hoje se clicamos em algo no computador ou em algum site e demora cinco segundos para abrir ficamos furiosos, se demora dez segundos quase temos um ataque, quando enviamos uma mensagem no watsapp e ela é visualizada é como se iniciasse um tic-tac de uma bomba relógio indicando que a pessoa tem seus dez segundos para responder, dá pra imaginar o Silvio Santos falando no watsapp “a dica é sua sobrevivência com quarenta caracteres, você tem dez segundos, tempo...”  ou então o Faustão “se vira nos trinta!”  (que na verdade são dez segundos ou menos) e essa impaciência nos remete ao fato da mini-saia ter que ser curta pra despertar o interesse, as únicas hipótese onde eu não imagino o emprego dessa comparação é na hora dos atributos físicos, tanto o homem quanto a mulher procuram abundância no próximo pra despertar o interesse e a outra na hora de receber o salário, imagina só um salário daqueles ateu (que a gente prefere nem acreditar), você chega para receber e nota que ele é grande o suficiente pra cobrir as contas e curto demais pra qualquer outra coisa, não sei vocês mas meu salário é estilo pirigueteuma mini-saia que não tampa nem o assunto.


Pedro Bragança

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Aniversário da minha mãe



Hoje o dia está mais lindo, hoje as coisas estão mais lindas. Até minha cachorra Ariel parece ter notado a beleza e o clima, eu diria aconchegante, que está hoje, não latiu pra me acordar.
Eu acordei, leia-se fui acordado, pela minha genitora descobrindo meus pés e os massageando dizendo bom dia e que já estava na hora de levantar. Essa é a dona Zilda em seu melhor estilo mãe. Agora eu entendi o respeito e o silêncio canino. Quem ousaria interferir no direito de ser mãe? Nem mesmo a Ariel faria isso.
Me vesti de um espírito de filho e disse tudo que minha mãe queria ouvir naquele instante:
- Só mais cinco minutinhos mãe!
E ela sorriu, acho que ela também sentia falta disso, talvez mais do que eu. Mas não fiquei os cinco minutos, nem deveria ter ficado, afinal já estava quase na hora de ir pra faculdade e queria aproveitar aqueles minutos perto dela. Entendi o porque de uma manhã tão aconchegante, era a resposta da natureza àquele dia tão especial, tão aconchegante e acolhedor quanto um abraço materno.
-Pedro Augusto! Já lavei sua blusa de frio, não esquece porque está muito frio lá fora.
Nossa, a dona Zilda sabe ser mãe, deveria dar aula para muitas marinheiras de primeira viagem. Vejo as manchetes de jornais mostrando mãe matando filho, filho matando mãe. Às vezes choro por dentro, ainda mais quando vejo filho aí com pai e mãe do lado e não respeita. Isso é mais uma forma de matar uma mãe aos poucos.
Todo ser humano deveria passar por essa experiência de ser mãe, não mãe que gera, mas sim mãe que educa, talvez assim exista mais amor no mundo. Mãe é amor!
Antes de sair dei um abraço bem forte e demorado em minha mãe, dei vários beijos e disse o quanto a amo, sei que é pouco diante do amor dela por mim e sei também que deveria fazer isso todos os dias, não apenas em datas especiais, sou um filho imperfeito, e mesmo assim ela me ama.
Mãe só queria te dizer que te amo muito, sei que às puxadas de orelha e as chineladas foram para me ensinar que devo ser calejado e forte pra viver em mundo sem a sua presença. A senhora é minha rainha, e quem diria que ser criado por uma mulher faria de mim um homem. Parabéns mãe, feliz aniversário. Eu te amo.



Pedro Bragança

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vida

Escrever sobre o que não conhecemos é difícil, não conheço a morte, embora já tenha visto ela bater várias vezes na porta, eu vou ousar falar de morte, mas a última palavra vai ser vida, porque a primeira não existe sem a segunda.
Perder alguém que amamos é difícil. Perder aos poucos entao é torturante, saber que aos poucos nos distanciamos e que a separação total é questão de tempo nos faz sofrer antecipado.
Uma das piores coisas que eu consigo pensar nesse instante é essa antecipação do sofrimento. O namorado de uma amiga minha tem um pai que está acamado, em estado terminal, o médico entre suas inúmeras responsabilidades, ainda esta incumbido de preparar a família para o pior. Esse "pior" é extremamente relativo quando o pior para a família é o melhor para a pessoa debilitada, que sofre duas vezes, uma com as dores da doença e outra com o próprio sofrimento dos parentes e pessoas próximas.
Quando a morte bate na porta devemos ser fortes, se bater na sua porta seja forte para que as pessoas que você ama não sofram, se bater na porta de alguém querido seja forte para que o sofrimento não venha antes da hora.
Sofrer é inevitável, nascemos para sofrer, mas o sofrimento não pode ser a regra. Que a felicidade seja a regra em nossa vida e a dor do sofrimento uma exceção, um acidente.
Se a felicidade for a regra em nossa vida, com toda certeza vai ser na vida das pessoas que nos amam.
Que conselho ou que palavra de conforto dizer para o namorado da minha amiga? Eu já passei por isso com meu avô Zuza, e sei que quase nada pode confortar um coração que se despedaça aos poucos. Quase nada, porque na vida tem jeito pra tudo, e nesses casos o "jeito pra tudo" que a vida tem para confortar  é o próprio tempo, o ruim é que esse tempo se dilata quando antecipamos o sofrimento.
Ao namorado da minha amiga, eu diria pra ser forte como nunca foi e como nunca imaginou ser um dia, ou chegue o mais perto possível dessa força, pois a vida é assim mesmo, nos entrega com uma mão e nos tira com a outra, mas não deixe que o sofrimento vire regra, tenha em mente que uma floresta não sangra por perder uma ou outra folha, jamais antecipe o sofrimento, busque no interior um sprint final de força, um ultimo gás de felicidade e um sorriso alegre para aquele que te trouxe a vida.


Pedro Bragança

sábado, 26 de julho de 2014

O vento

O vento com toda sua invisibilidade e frieza colide com os amontoados de alvenaria do centro da cidade, surge então um diálogo incessante e intraduzível que nossos ouvidos mortais jamais entenderiam.
É difícil para os ouvidos humanos decifrar ou interpretar o barulho do vento. Creio que o vento é o próprio sentimento, ele sopra as pessoas ou entra em seus pulmões e sai levando contigo o que essa pessoa sente.
Se alguma coisa te incomoda entrega pro vento! Deixa que ele se encarrega de levar tudo que está em seu íntimo. Respire fundo.
Escute o vento, tente senti-lo, mas sem procurar uma tradução. Lembre-se que o vento é sentimento de alguém em outra parte do mundo, da cidade ou do muro. Então sentir o vento é sentir algo que alguém sentiu em algum lugar, sentir o vento pode ser amar alguém, ou até mesmo odiar na falta de vento, já que assim como as trevas é a falta de luz, o ódio é a falta de amor. Uma brisa leve seria um amor no inicio, aquela paixãozinha de começo de namoro, que com o tempo vai criando raiz e se torna um furacão.
Sinta o vento, se apaixone, se perca, se ache. Respire fundo e deixe o vento te encher de sentimentos novos, deixe que ele carregue pra longe os sentimentos que não te acrescentam nada. Se permita sentir o vento no rosto imaginando quantos rostos e quantos corações foram tocados antes do seu.
Aprender os mistérios do vento é uma tarefa difícil, tudo que é invisível aos olhos é difícil compreender mas ao mesmo tempo essencial, assim é o amor, assim é também o vento.


Pedro Bragança

terça-feira, 22 de julho de 2014

Desafeto

Nossas almas podem ser representadas com duas retas paralelas. Essas retas eu carinhosamente apelido de destino, com um pouco de lógica chegamos à conclusão de que essas retas nunca irão se tocar, e que nossas almas nunca se encontrariam, seguiriam eternamente sem se entrelaçarem nunca.
Mas quem disse que o amor é lógico? Talvez o destino seja matematicamente exato, o fruto fiel das nossas atitudes, escolhas e do nosso esforço, mas o amor não. 
O amor não é exato, não é reto, muito menos previsível ou calculável.
O amor é tão instável quanto uma linha de um eletrocardiograma, pode oscilar ou se esticar em um sonoro e contínuo Bip. Devido a essas ondulações provocadas pelo amor em nossa linha reta do destino, nossas almas têm se encontrado várias vezes. E a cada encontro elas parecem se entrelaçar mais e mais é como se a certa altura se confundissem, como se o amor mesclasse nossas almas com tamanha intensidade que sua separação arrancasse de mim a própria vontade de sorrir, e me deixasse vazio, sem vida.
Nossas brigas e nossos desafetos um dia não passarão de lembranças e casos para contarmos anoite antes de dormir, vamos rir bastante, rir até sair lagrimas, no fim veremos que nossos desafetos sempre derramarão lagrimas, hoje de tristeza, medo de perder e medo de não ser pra sempre, no futuro serão as lagrimas de alegria, a barriga vai doer de rir de nós mesmos e do quanto pequenos problemas nos afetavam tanto.É que quando o amor é demais qualquer desentendimento se torna grande, é multiplicado pela insegurança, pelo ciúmes, e pelo amor também, que mesmo não sendo exato pode multiplicar qualquer outro sentimento ou percepção. 
Só quero que não se esqueça de rir bastante comigo dessas coisinhas pequenas que nos causam tanta dor de cabeça e que nos deixam tão inseguros, porque num futuro nem tão distante, como eu disse, esses desafetos serão apenas lembranças, nem boas, nem más, apenas lembranças. 





Pedro Bragança

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Saudade II


Perco o sono, perco o rumo, perco o prumo. Uma manhã fria, volta as aulas, aquele friozinho diabólico que deixa roxo os lábios, deixa seco a boca, e deixa frio o coração. Um frio de ranger os dentes e corar as bochechas. O vento frio que vem ao meu encontro traz lembranças de você, a sensação é que uma pequena corrente elétrica me percorre a espinha, algo em torno de 6 volts, 1 mili amper, o bastante pra criar uma conexão com o vento frio e permitir seu diálogo com a minhas costelas.
Aprendi que quando a dor aperta assim e o coração parece gelado, mesmo em dia quente, damos o nome de saudade. Uma dor que descortina os sentimentos mais ocultos, faz tremer músculos que até então eram desconhecidos e materializa em forma líquida e salgada toda a dor da ausência que o corpo carrega. Uma lagrima cai.
É natural sentir saudade, estranho é não poder saciar essa vontade de estar perto. Sinto saudade do meu amor desde exatos três minutos após a despedida, não entendo o motivo de ser sempre esses três minutos, e olha que eu já refleti bastante sobre isso.
O primeiro minuto eu chamo de fase de êxtase, nesse minuto eu fico anestesiado de carinho, amor, felicidade, nesse minuto nada pode me afetar, nem me fazer infeliz, este é o ápice dos sentimentos.
O segundo minuto eu apelidei de minuto ressaca, uma ressaca boa, aquele gostinho do ultimo beijo ainda dançando por entre os lábios, nesse minuto a cabeça gira, mas é uma ressaca boa.
O terceiro minuto é o minuto dúvida. Quando vou voltar a vê-la? Será que ela também sente isso? O que é "isso"? Nesse minuto a mente é um caos, e eu preciso ser forte pra não me perder.
Depois desses três minutos a saudade vem gritante como uma sirene de ambulância ao socorro de um acidentado caído do asfalto.
Eu entendo que esses três minutos pré saudade são necessários, a própria saudade em si é um mal necessário pra que o sentimento evolua, necessário pra que seja valorizado cada segundo perto, e portanto, essencial pra que uma amizade ou um amor sempre se solidifiquem mais e mais a cada reencontro.


Pedro Bragança

Saudade

Parece que o frio chegou. Mas que hora indesejável, chegou junto com a saudade, assim fica difícil senhor frio, acaba de congelar minha alma e com isso me dói desde as pontas dos dedos do pé até o ultimo fio de cabelo.
Se é pra congelar, porque não congela o tempo, mas espera eu matar a saudade, deixa pra congelar o tempo quando eu estiver do lado dela, não sei se vou suportar o frio assim tão longe, muito menos suportar a saudade assim tão frio.
Que frio devastador, me destrói por dentro enquanto me esquivo das boas lembranças, se eu não me esquivar elas me acertam em cheio, seria uma batida fatal e eu não suportaria de tanta saudade. Saudade daquele sofá, daquela cama, daquele último filme, dos sorrisos, da última briga, que droga, saudade até dos defeitos. Nunca vi, ou melhor nunca vivi um amor tão defeituoso, e ao mesmo tempo tão maravilhoso. Ela me aprisionou, me viciou, me fez aprender a viver com ela, só com ela, coitado de mim, eu virei dependente, tanto dela quanto daquele sorriso, daquele cheiro, daquele carinho.
Aqui nesse frio sinto-me em uma crise de abstinência, sou dependente daquele amor e não existe reabilitação pra esse vicio, se existisse eu recusaria. Quando fico sem esse amor começo a tremer, não sei se é saudade ou é meu corpo reclamando do frio, às vezes um calafrio percorre a espinha, e termina nas extremidades dos braços, não sei se é o vento frio chegando ou se é a falta daquele carinho, daquele amor.
Quanto tempo vou sobreviver nesse frio? Eu sei que será mais tempo do que sobreviverei com essa saudade. O frio eu posso burlar com uma fogueira, ou esfregando bem as mãos. Mas essa saudade só cessará com aquele abraço apertado, ou aquele beijo que só ela tem.
Vontade de sair correndo, preciso fazer uma corrida de seis quilômetros até a casa dela, assim eu esquentaria o corpo desse frio e aqueceria também meu coração, acabando momentaneamente com essa saudade.



Pedro Bragança

sábado, 12 de julho de 2014

E o verbo se fez carne

E após vários minutos lendo, relendo, lendo mais uma vez, se apaixonando, fiquei imóvel. Mais imóvel que atacante da seleção brasileira em semi-final da copa de 2014 (espero um dia não precisar desse tipo de humor). Que delicia é ler algo que nos imobiliza, que toca nossa alma nos deixando bobos e satisfeitos, ou espertos e insaciáveis. O interessante de uma boa leitura é isso, a incerteza, a imprecisão e imprevisão do efeito que ela causará.
Um leitor esperto abusa das palavras, frui delas como quem chupa uma laranja, espreme a palavra até obter dela tudo que ela tem a oferecer, é como se a palavra fosse uma cana, e a mente um engenho, ali a palavra é moída de um lado sai o bagaço, do outro o mais doce e divino nectar dos deuses.
Quem lê minhas palavras com o sentimento que eu escrevo enxerga o mundo com meus olhos, escuta os sons e ruídos que eu escuto e produzo, enxerga as cores que eu enxergo e conhece aquelas que eu invento.
Escrever então é mais do que descrever, o texto é uma extensão do autor, é a externalização dos sentimentos, o escritor deve ser transparente como uma criança,pois uma criança não sabe conter suas emoções, isso as torna puras, uma criança é incolor, se tá triste chora, se tá feliz sorri, uma criança nao vive meias verdades. Assim tambem deve ser o escritor, escrever como uma criança que conhece as regras gramaticais, brincar com as palavras como quem puxa um carrinho ou pentea uma boneca. Me perguntaram o que é poesia, hoje eu sei que poesia não é mas sim está. Poesia está no sorriso de alguém que amamos, vejo poesia nas coisas vivas, poesia é movimento, poesia não é rimar, não é seguir uma simetria no texto, não é nada disso, eu sei que um texto é poesia quando as palavras me fazem tremer, arrepiar, sei que é poesia quando minha cabeça parece que vai sair do corpo, quando a pele parece que vai desgrudar dos ossos, poesia é sangue, é carne, e o verbo se fez carne, poesia está dentro de cada um de nós, ela é sorriso, é lágrima, é ódio, e é amor também.



Pedro Bragança

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Novelo de idéias

Que dificuldade! Como é difícil passar o sentimento para o papel. Às vezes acho que é algo impossível, e de certa forma é. Peguei o papel, peguei a caneta, coloquei uma música no computador, nem muito alta nem muito baixa, o bastante para se confundir com meus pensamentos, e se confundiram.
Talvez essa confusão tenha atrapalhado na escrita, talvez tenha ajudado, mas por precaução, antes de escrever eu tenho que me esforçar para desembaralhar os pensamentos, é um processo muito complicado, é como um caça-palavras mental, como se estivesse desembaraçando uma linha de soltar pipa, mas essa linha é formada de letras, silabas, fonemas, envolto nessa linha está o joio, preciso separá-lo do trigo, retirar algumas palavras, às vezes retiro algumas manias. Isso eu faço contra a minha vontade, sou totalmente contra isso, afinal essas manias transformam o simples texto em “meu texto”, não importa se está ruim ou bom, até porque isso é uma questão de ótica e de interpretação, o que importa é que posso chamá-lo de meu, e as pessoas que possuem as mesmas manias também chamarão de seu.
Conseguir desembaralhar um texto é uma tarefa árdua, quase uma batalha, e deve ser lutada com garra, pra ser vencida com honra. Pego uma palavra pelo pescoço, aperto até ela quase perder a consciência, acontece que algumas palavras são agressivas e traiçoeiras, se você não for rígido e assumir o controle, ela te derruba, ou machuca alguém. Essas palavras são as piores, mas é preciso utilizá-las para que não tenha distância entre o que eu sinto e o que eu escrevo.
No geral todo escritor é uma pessoa apaixonada. Logo, toda pessoa apaixonada é um escritor? Talvez sim, talvez não. A paixão é uma pinça, uma peneira ou qualquer outra ferramenta ou forma de selecionar as palavras que serão utilizadas, assim como o ódio também é. O ódio, assim como o amor, decanta a escória das palavras deixando a vista apenas aquelas que condizem com o sentimento ou com o momento.
Depois de desembaralhar e colocar em ordem, gastar a tinta da caneta e aplicar uma boa dose de concordância (não concordância gramatical, mas sim concordância com o que sou, com o que faço e com o que sinto), eu fico atônico enquanto corrijo, às vezes escapa um sorriso enquanto passo à limpo, fico bobo como um pai que pega seu filho no colo pela primeira vez, meio desengonçado ao ler, mas ainda sim feliz como uma criança por ter desembaraçado a linha das palavras e assim poder voltar a soltar pipa.



Pedro Bragança

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Legitima defesa do amor

- Eu agi em legítima defesa do amor.
Sempre fui completo em meus sentimentos, o que significa que nunca amei pela metade, mais do que isso, eu nunca amei mais de uma pessoa ao mesmo tempo, pra ser sincero não me recordo de ter amado outra pessoa, mas se amei, optei pela segunda por ter a convicção de que quando se ama alguém verdadeiramente não pode existir espaço pra dúvida.
Desilusões amorosas, quem nunca? Quem falar que nunca se iludiu está mentindo, tanto é que algumas pessoas vivem iludidas a vida inteira, sem nunca encontrar um amor para chamar de seu, apenas acha que estão amando, quando na verdade sentem um carinho, amizade, apreço ou, nas piores situações, compaixão, dó. Aproveitando essa deixa quero fazer um apelo, mais paixão e menos compaixão, por favor.
Quando somos iludidos por alguém, ou na maioria das vezes, por nós mesmos, acabamos deixando aflorar nosso lado egoísta, começamos a pensar apenas em nós, e como conseqüência iludimos outra pessoa. Tentamos de toda forma ser feliz, e nos esquecemos de esforçar para fazer outra pessoa feliz, eis uma forma de amar de verdade, fazer outra pessoa feliz e ser feliz com isso. Mas nos esquecemos disso, aproveitamos de uma pessoa que sinta pela gente algo sincero, pegamos essa pessoa de bode expiratório, iludimos e mascaramos essa desilusão dizendo ser uma forma de esquecer aquele amor que não se entregou por inteiro pra gente. Mas e essa pessoa que estamos iludindo? Ela que iluda outra pessoa? Onde vamos parar assim?
Eu respondo. Iremos parar exatamente onde estamos, em um mundo de ilusões e desilusões amorosas, onde as pessoas iludem umas as outras, matando o sentimento uns dos outros inclusive o próprio, se tornando frio, afirmando agir em legítima defesa do amor.
Se você ama e é amado aproveite, dê valor. Pois, em terra de desilusões amorosas, quem tem um amor sincero é rei.




Pedro Bragança

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Antes de dormir

Passava das três, e minha mente vagava pelo imenso e negro céu, meus olhos estavam fixos em um canto qualquer, ou em qualquer canto, não sabia ao certo, apenas tinha certeza de uma coisa, aquele vasto universo poderia ser contemplado tanto ali, da janela do meu quarto, como de qualquer parte do mundo. Era tão misterioso e indecifrável, quanto os pensamentos daquela mulher.
Mas espera ai, qual mulher?
- Aquela! Existe outra com tamanho ar de mistério ou existe outra que mereça o sacrifício do meu precioso sono?
Você pode não saber o nome ainda, mas tenho certeza, vai perceber que conhece e muito essa mulher, vai ver também que ela apesar de unica se manifesta, as vezes de maneira devastadora, na vida de muitos homens. Homens que como eu não sabiam dar valor achavam frescura falar de amor, e ainda pior demonstrar qualquer tipo de sentimento.
Eu aprendi que homem também deve falar de amor, também deve fazer carinho ou até mesmo chorar, é, homem deve ser sensível ao tratar uma mulher com sentimento, doçura e a delicadeza que ela merece. Mas eu não pensava assim, eu tinha na cabeça um pensamento diferente, ou vai saber, um pensamento igual aos padrões que a sociedade entendia como correto. 
Não falo da sociedade de forma absoluta, pois sei que por ai existem outros homens que viveram uma história parecida com a minha e que foram rejeitados, depois,acolhidos para perceberem a importância de mostrar todos os dias o quanto amam a mulher de sua vida e com o tempo se converteram aos carinhos e cuidados de uma mulher de verdade.
Aqui da janela do meu quarto minutos antes de dormir fico como de costume "rebobinando" meu dia e percebo que, mais uma vez, meu dia não passou de um "pleonasmo redundante" de pensamentos nela e no tamanho do amor que eu sinto. Exagerado e imensurável, duas palavras que definem em parte o meu amor por ela. 





Pedro Bragança

terça-feira, 1 de julho de 2014

Envelhecer ao seu lado

Se eu pudesse parava o tempo do seu lado, nossa! Seria maravilhoso parar tudo no seu sorriso, assim nós não envelheceríamos e todas as promessas seriam realmente eternas. Mas fico satisfeito em viver do seu lado até morrer. Isso parece ironia quando na verdade morro de amor toda vez que te vejo.
Imagina que incrível envelhecer ao seu lado, ver o Brasil ganhar quantas copas forem possíveis, ver o homem achar vida em outros planetas ou povoar marte, ver os carros flutuantes, ver coisas ruins mas suportáveis ao seu lado como por exemplo a água doce sendo comercializada em preço mais alto que barris de petróleo, ou ver coisas boas como o fim do preconceito.
Vivendo muito ou pouco, não importa, isso desde que eu viva com você. Viver pra ver nossos filhos jogando bola e se decepcionando em amores de infância, aprendendo a ler e escrever, viver pra ver a Cecília, esse é o nome que escolhemos pra nossa filha, pra ver ela trazendo o primeiro namoradinho pra nos conhecer, se é que ela vai trazer com esse negócio de redes sociais, mas vamos educa-la no amor, vamos ensinar como é bom amar, e vamos nos fazer de exemplo e espelho pra ela de um amor sincero e perfeito em todos os defeitos.




Pedro Bragança

domingo, 29 de junho de 2014

Falar de amor

Falar de amor sem perder a cor, morrer de amor e aí sim viver dele. Juntos somos os dos extremos, eu preto, todas as cores misturadas, ela o branco, a ausência de todas as cores. Às vezes invertemos os papéis, eu viro o branco e ela assumidamente incorpora todas as cores juntas. Somos dois extremos, Oiapoque, Chui, ela quente, eu frio, eu fogo e ela gelo. Talvez por isso tanto desentendimento e ao mesmo tempo tanta necessidade um do outro, quando sou fogo preciso de gelo para não queimar alguém, quando gelo preciso de fogo para não me silenciar para sempre. Vivemos em um eterno atrito, um contato de resultado indecifrável. Apenas depois do primeiro toque nos deliciamos com as improváveis consequências, vez ou outra ela precisa de paciência pra aturar minha maluquês, e eu preciso compreender o ciúmes dela.
Às vezes eu piso na bola, tudo bem às vezes não, estou constantemente pisando nessa forma geométrica tridimensional simétrica, e ela por ser extremo, nunca cometeu se quer um deslize, sempre foi correta e incomparavelmente sincera.
Não sei se mereço cada vez que fui perdoado, pois quando nem eu me perdoava, ela levantava meu queixo, secava as lágrimas, me olhava nos olhos umedecidos, e dizia o quanto me ama acompanhado de um doce "eu te perdoo". Tenho medo que a minha triste imperfeição mate o que ela tem no coração, tenho muito medo de chegar ao fim e não ter alcançado o que ela esperava de mim. Nunca desistirei dela, muito menos abrirei mão de fazer dela a mulher mais feliz do mundo, posso morrer tentando, disso tenho certeza. Mas quer saber se já pensei em desistir de mim?
Hoje de manhã eu estava pensando nisso.
Não importa quantos leões por dia eu precise matar ou quantos dragões eu precise combater para fazê-la feliz, eu vou derrotar todos os inimigos, mesmo sabendo que o pior inimigo está ali dentro daquele espelho.





Pedro Bragança

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Queria ser poeta

Ela merece uma poesia, mas não dessas forçadas, merece uma espontânea, natural, igualzinho ela é. Merece uma poesia que a acaricie o pescoço enquanto a beija, digo enquanto ela a lê. Merece sim, uma poesia com cheiro porque não? Um aroma de mesa de café da manhã enriquecido com a leveza e delicadeza do perfume que ela tem. Ela merece mesmo uma poesia, pois é pessoa que eu inevitavelmente pensei ao escrever esta ultima frase.
Gostaria muito de escrever pra ela, eu seria o seu escritor e ela minha leitora, não é muita coisa mas seria minha e eu dela e de certa forma estaríamos ligados e dependentes um do outro. Eu precisando dela pra ler minhas poesias e ela precisando de mim pra saciar sua fome de leitura. Mas tenho medo de decepcionar, medo de tirar dela esse gosto pela literatura, acontece que ela é uma baita de uma inspiração, mas também é uma enorme distração. Me pego distraído pensando nela e nos momentos que ainda não vivemos, mas vamos viver, ah se vamos! Tenho certeza disso, tanta convicção quanto vontade, vontade que me move, que a comove, que nos envolve, assim como também nos envolve esse último verbo.
Ainda acho que ela merece uma poesia, mas eu não sou poeta, e se eu não serei o autor dessa tal poesia prefiro que ninguém seja, sou possessivo e ciumento. Que inveja dos poetas que escrevem de forma tão intensa sobre sentimentos, principalmente sobre o amor, me alegraria muito se um dia escrevesse sobre meu amor como os poetas escrevem, da mesma forma os poetas gostariam muito de amar como eu amo. Tenho certeza.
Ela merece uma poesia, daquelas de arrepiar os pêlos do braço, daquelas que a faça se sentir amada, merece uma poesia para ler pausadamente ou ritmicamente, pois assim poderia deixar escapar sorrisos ou só risos e até mesmo suspiros entre uma estrofe e outra. Ah como eu gostaria de aprender a escrever poesias, quero porque quero me tornar um poeta, amar eu já sei, meio caminho andado, inspiração também já tenho, parece que a única coisa que me falta é mesmo coragem pra vencer a insegurança e o medo dela não ler. Queria ser poeta. Queria surpreender.




Pedro Bragança

domingo, 22 de junho de 2014

Morrer de amor

Vida depois da morte, ta aí uma coisa que nunca saberemos com certeza antes de morrer. Bom, que todos vamos morrer um dia isso sabemos, mas e depois? Será que existe uma vida depois disso tudo? Será que existe um paraíso?
Eu acredito em uma vida depois da morte, mas primeiro devemos colocar as cartas na mesa e esclarecer de que morte ou de que vida estamos falando. Temos uma concepção, na minha opinião muito precipitada, de que toda morte é ruim e que toda vida é boa. De fato ninguém quer perder a vida, afinal somos por natureza egoístas e amantes da vida, é difícil pra nós, simples mortais encontrar a honra implícita na morte de um soldado por exemplo que morre na defesa de outras vidas, ou numa mãe que doa sua vida pelo filho, se privando de muita coisa para lhe proporcionar uma vida que não teve. A morte tem lá seus mistérios, na verdade tem todos os mistérios, e portanto nos causa medo, temos pânico do desconhecido. Mas existem mortes que são passagens para uma vida nova, é esse tipo de morte que eu quero defender, sou a prova viva que existe algo depois da morte, já morri varias vezes, e acabo morrendo todos os dias, a cada morte me sinto mais vivo do que nunca. Eu morro de amor. Sou uma alma de um amante antigo confinada nesse corpo limitado pelo mundo moderno, mundo onde amar é ser brega e falar de amor é ser tosco. Sou atrasado ou um intruso nesse tempo, mas não estou sozinho, muitos iguais a mim morrem de amor e assim permanecem vivos. Esta é a mais formidável e de certa forma indescritível vida depois da morte.
Muito honroso morrer de amor, mais digno ainda morrer de amor e ao mesmo tempo viver dele. Se existe um paraíso depois da morte, e existe podem acreditar, só frui dele quem morre de amor. Que sentimento complexo e surpreendente esse tal amor, nos mata num golpe de azar e nos faz viver num golpe de sorte.





Pedro Bragança

Luz, camêra e ação

Luz, câmera, ação. Mas não qualquer ação, não qualquer luz. Luz que vem de dentro, a luz que muda o mundo, luz que cativa, que incomoda, que alegra e muda quem é iluminado por ela. É a luz do gesto fraterno, luz que emana daquele que dá sinal pra você no ônibus quando suas mãos estão ocupadas segurando seus livros de escola, essa mesma luz gruda no seu corpo, sei lá, parece que acende uma vela dentro de você, vela da boa educação e cordialidade, você sai do ônibus e enxerga melhor as pessoas e suas necessidades, passa a ajudar mais, fica mais gentil. Ação, à luz da caridade toda ação é iluminada, ação, movimento, fico pensando que bom seria se as boas ações fossem automáticas, imagine só, movimentos peristálticos, você vê uma pessoa triste, daí chega perto com sua luz e não se afasta enquanto não arrancar um sorriso. Vê alguém com fome e pedindo dinheiro para viajar pra sua terra natal em algum lugar na grande São Paulo, e você não pensa duas vezes vai lá e paga um lanche com medo do dinheiro ser usado pra comprar drogas. Mas a droga da desconfiança, a droga do preconceito, a droga da discriminação e a droga da falta de fé nas pessoas, essa nós somos viciados e consumimos em larga escala, contrabandeada do íntimo de nossos corações. Você tem que ver alguém com a luz apagada e imediatamente se movimentar, "chegar junto", se dispor a serviço daquela lâmpada que precisa de eletricidade, ou simplesmente daquele ser que precisa de atenção.
"-cada pessoa tem de mim o que cativa!"
Se você fala isso, me diz o que tem cativado nas pessoas? Ou melhor, o que tem cultivado?
Acho que algumas pessoas falam desse assunto com mais propriedade, eu pessoalmente tenho pensado muito em mim e pouco nos outros, isso não é bom, admito.
Eu vi um menino de rua vendendo bala no sinal, fiquei ali cinco minutos atônico pensando onde está o Estado, que mesquinho eu fui, fácil botar a culpa no Estado e ficar ali naquele ponto de ônibus parado sem atitude, sem ação, sem luz.
Vi quando uma senhora passou à pé próxima àquela criança e firmou a bolsa com a mão embaixo do braço, outro passou de mãos dadas com o filho pequeno e acelerou o passo puxando o pequeno pelo braço só pra não precisar dar explicações ao filho sobre o porque de ter crianças na rua ou talvez fosse só pra não comprar balas, talvez seu filho tinha acabado de escovar os dentes. Eu ali parado apenas imaginando o porque daquelas reações, estava ali naquele ponto de ônibus, parado, como o "bacana", ocupado demais com minha vida pra poder fazer algo pela criança de rua. Mas entre tanta discriminação, tanto medo e rejeição no olhar do pacato cidadão, pai de família que avistava o menino no sinal e subia o vidro do carro, eu vi algo que ascendeu um pouco aquela vela anteriormente mencionada. O vidro abaixou e atrás daquela película cinzenta das janelas escuras de um scort, apareceu um sorriso, aquela distancia parecia que tentava olhar nos olhos da criança, tarefa difícil visto que, ficava incessantemente olhando para baixo, me surpreendeu quando esticou a mão para fora do carro e pegando no queixo daquela criança, levantou sua cabeça, ela se assustou quando recebeu daquele motorista um pouco de carinho, se assustou um pouco menos quando o viu pegar no banco carona um salgado e uma coca-cola, agradeceu e saiu correndo provavelmente, eu suponho, pra dividir com algum irmão de rua, corria e pulava muito, mas daquele ponto de ônibus eu pude vê-la sorrir pela primeira vez, e eu sorri com ela! Ah se eu soubesse que o segredo da felicidade estava ali, nos pequenos detalhes.




Pedro Bragança