quarta-feira, 14 de junho de 2017

CARTA A UM VELHO AMIGO DO CURSO DE DIREITO

Ipatinga, 13 de junho de 2017.

Querido Amigo,

José Lucas, 

Ensaio sobre anestesia psíquica: um estudante de Direito e a patologia da alteridade.

Creio que nenhum conselho é demais quando destinado a um amigo do peito. Através desta carta, como os muitos ensaios de Montaigne a seu amigo Étienne de La Boétie, compartilho um pouco da pequena experiência que tive, e acredito que esteja vivendo durante o estudo desta majestosa ciência.
Nos cinco anos da graduação de Direito, mais acentuadamente nos últimos anos, passei por situações inéditas e me peguei refletindo sobre minha saúde psíquica e como esta situação refletia no meu comportamento social. Percebi, meu querido amigo, ao me debruçar sobre meus pensamentos e atos, que acabava por fazer uma autoanálise sobre minha condição e espero que isso tenha servido como forma de melhoria enquanto pessoa e, espero que lhe sirva para algum crescimento, ou na pior das hipóteses uma futura homenagem fúnebre ao seu velho amigo que lhe escreve. Trata-se da velha questão de conhecer a si mesmo, talvez eu devesse ter prestado mais atenção nessa frase nos primeiros dias de curso, enquanto estudava Sócrates durante as aulas com as matérias que você demonstrou serem de singular importância, as matérias propedêuticas.
Resolvi escrever um ensaio. Sim, um ensaio, pois mesmo sabendo da sua compreensão e incentivo, entre os gêneros literários não encontrei outro que me permitisse expressar o que sinto sem temer críticas, sejam positivas ou negativas. Um ensaio é um ensaio. Sem me apegar a redundâncias, o ensaio é algo inacabado, passível de alterações e aprimoramentos que ainda hão de vir, o tempo se encarregará disso. Ocorre que o primeiro dilema, não bastasse o próprio dilema do conteúdo deste ensaio, foi escolher um título, algo que chamasse a atenção, que te instigasse e identificasse.
A princípio pensei em algo como “o dilema da alteridade” ou “a cultura da indiferença”, mas não sei por qual razão, optei por utilizar algo relacionado ao narcisismo, não como sentimento ou característica, mas sim como defesa diante das adversidades encontradas. Parece complexo em um primeiro contato, mas é simples, como será demonstrado. O que importa é que o título ficou assim, busquei inspiração na psicanálise, pois foi ferramenta fundamental para que eu saísse daquele fundo de poço que me levaram os cinco anos de graduação.
Não, ainda não tenho formação em psicanálise e você sabe disso. Por este motivo volto a enfatizar, foi este o motivo que me levou a optar por um ensaio. Acontece que ao ler textos sobre o assunto me deparei com uma parte de mim difícil de reconhecer sozinho. Nós acadêmicos de Direito temos a má fama, principalmente durante a graduação, de nos achar detentores de notório saber ou da ciência divina, muitas vezes realmente somos, dentro de nossas limitações humanas. Pobres mortais, a arrogância e o ego inflado são ingredientes facilmente encontrados ao se dissecar um estudante de Direito, permita-me nos incluir neste seleto grupo e nos orgulhemos disso.
Nos últimos anos do curso fui surpreendido com uma competitividade assustadora, talvez você já esteja vivenciando. Muitos dos meus colegas de classe se demonstraram exímios predadores competitivos e confesso que me incomodou, mas isso é assunto para outra conversa. Entretanto, além de me causar náuseas, estas experiências influenciaram a alimentação da minha patologia, que aqui ouso chamar de “a patologia da alteridade”. Consiste na rejeição do outro como forma de afirmação do eu. Em outras palavras, a pluralidade de pensamentos, opiniões e posicionamentos, bem como atitudes, me levaram a um estágio onde era mais cômodo não se interessar pelo que o outro tinha a oferecer, por já presumir onde aquilo levaria. Não me culpe, descobri que é uma defesa, como dito linhas atrás, uma defesa para essa patologia social. O mesmo acontecia com os livros, acreditava não precisar ler, pois pelo título já presumia que o final não seria tão bom. Não queria saber outras opiniões ou não dava a mínima para as que eu ouvia, pois, por serem outros e não eu, já presumia que não era bom. A diversidade me levou a indiferença. Tudo aquilo que não se parecia comigo não me servia. Trata-se de uma espécie de anestesia psíquica, outros chamariam de comodismo.
Diante das diferenças, encontrei na indiferença uma forma de me proteger e resolvi denominar esta forma de exceção (defesa) de “o método da esquiva”. Na linguagem popular, seria o mesmo que evitar a fadiga. Assim, deixei de ter novas relações, fiz restrições no meu gosto por livros, deixei de escutar novas opiniões e de conhecer pessoas, pois já presumia o que posso esperar destas experiências. Hoje, confesso que era mais fácil me esquivar, do que enfrentar as agruras de experiências contrárias ao meu gosto. Pode ser interpretado também como medo das reações que podem surgir dentro de mim diante de um fato estranho. Consequentemente, o meu eu foi se inflando ao mesmo tempo em que diminuía todas as singularidades de identidades diferentes de mim. Como consequência, acredite nisto meu amigo, o mundo também vai se diminuindo e as possibilidades também. Chega-se, por fim, a reclusão, solidão.
Ao longo de uma longa autoanálise que durou alguns meses e ainda persiste, percebo que o Eu do futuro deveria ser um Eu que ultrapassou desafios e enfrentou diferenças, pois caso contrário, o Eu do futuro será o do presente, apenas em mundos externos diferentes. Sim, é necessário se expor aos conflitos, imergir nos problemas dos outros e fazer deles nossos problemas. A troca de experiências é essencial para a dinâmica do meu Eu. Não é questão apenas de altruísmo, mas sim de ser plural. Concluo percebendo que existem motivos egoístas para me misturar com os outros diferentes de mim, mesmo que sejam opiniões e gostos absurdamente ridículos em uma primeira análise, pois é nessa mistura que nasce o Eu futuro e qualquer coisa poderia ser considerada melhor que o Eu de agora.
Sinto saudade das conversas ricas em conhecimento que Vossa Excelência, meu amigo, proporcionava nos diminutos tempos que nos esbarrávamos pelos corredores de concreto desta Instituição de Ensino Superior. Desejo-lhe que domine seus próprios demônios e que você saia melhor do que já é da luta contra as adversidades encontradas no caminho, não tão reto, do Direito. Por fim, deixo-lhe um ultimo apelo. Não deixe morrer o sonho impúbere de anos atrás, que o prato onde repousa a Justiça seja mais pesado que o prato onde pulsa a Lei. Nesta nossa missão nos é vedado o fracasso, nos é vedada a deserção, só nos resta vitória!

Abraço,
De seu amigo,

Pedro Bragança

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A divindade de ser louco ou loucura em querer ser deus

Tudo tem sido estrangeiro ao homem quando se depara com a delicada questão de ser louco em um mundo onde lucidez é o argumento justificador de atos covardes. Tem-se que o louco é a exceção ao comportamento dígno de um homem respeitável. Atira-se a primeira pedra e depois avalia-se o grau de lúcidez do apedrejado pelo simples fato de ter caído na prática de atos não aprovados pela massa. Outrossim, é louvável, aos olhos da massa justiceira, a conduta do arremessador de pedras, pois esse sim é o respeitável cidadão que vive sua lucidez e cumpre com as ordens que lhe são impostas sem sequer questionar se sua fonte está contaminada por interesses individuais. Como um rio onde as pessoas saciam a sede por normas de conduta, que por sua vez coíbem o louco que grita dentro de cada ser humano. Rio turvo que brota em um inalcançável grotão violado pela pastagem de animais domesticados.
O objetivo destas palavras é clarear a divindade presente na loucura de um ser humano, para isso temo como irrecusável a utilização do ramo do saber que mais defende a existência de deus, a filosofia. Eis que no princípio era o verbo, a palavra escrita ou falada, tradução da palavra grega logos, a razão. "E o verbo estava com  deus, e o verbo era deus." Passagem necessária para entender a proximidade da filosofia com o divino, sendo a razão o objeto central da busca pelo conhecimento filosófico, seria sensato afirmar que deus está no centro do pensamento filosófico como verbo, o logos, a luz, a razão, enfim, o conhecimento que foi oferecido pela serpente ao homem como forma de tornar-se divino.
Talvez seja precipitado afirmar que deus é algo tão simples de se alcançar, se assim o fosse não seria a fé nele combustível para buscas incançáveis, durante toda sua existência o homem vem buscando deus, e mais, buscando ser deus através da satisfação de sua sede na água do rio turvo do conhecimento. Na Grécia Antiga várias eram as correntes sobre a explicação de deus ou das divindades. Limito-me em afastar a questão do politeísmo, pelo simples argumento de que se partimos do pressuposto de que deus é perfeito, se é que deus "é" ou "está", não haveria tesão pela busca de vários seres perfeitos, pois um destes deveria ter sido criado por algo ou "estar em algo", e esse algo singular seria, talvez, deus. E se esse algo singular fosse criado por outro "algo", pela simples pirraça e limitação de não acreditar que deus existe no nada e é feito dele, podemos ignorar todo esse parágrafo e dizer que essa busca por deus é algo inalcançável para a razão humana, o que torna ainda mais forte a crença na superioridade de deus perante os seres limitados que ele criou.
Firmes em suas sustentações, há quem defendesse na Grécia Antiga e nos tempos atuais, o deus transcendental, que precede o universo, e portanto, o próprio homem, partindo deste pressuposto pode-se afirmar com veemência que deus criou tudo. Em um momento iluminado pela luz do conhecimento o homem cogitou a possibilidade de se chegar até deus com a eliminação das singularidades que fazem cada criatura ser criatura, pois através dessa exclusão de características inatas na essência da própria criatura, esta deixa de ser criatura e se não é criatura é criador, ora, seria possível chegar a divindade com a exclusão da essência de todas as coisas criadaspelo criador.
Pegue um pássaro e elimine dessa criatura as penas, não deixará de ser pássaro, seria apenas um pássaro depenado. Elimine agora as pernas, estaríamos diante de um pássaro depenado e alejado, a mesma coisa se eliminássemos uma das asas, ou o bico, ou o canto. Mas o mesmo não iria ocorrer caso excluíssemos do pássaro o vôo, pois o vôo é a essência do pássaro, o que o distigue de vários não pássaros, se voce remove a essência voce não tem mais a criatura, pois, pássaro sem vôo não alcança a finalidade divina pela qual foi criado, não se pode passarear sem ter a essência do pássaro. Da mesma forma não se pode ser pedra, sem ter a essência de uma pedra, pois o que a faz pedra é aquela singularidade, ou conjunto de singularidades, sem os quais não a criatura não seria mais ela mesma, mas sim algo completamente desconhecido, algo que ousamos acreditar ser deus.
Ora, quando se trata de bicho homem é necessário cautela ao excluir as singularidades, pois o homem é, entre todas as criaturas, aquele que possui uma singularidade estrangeira a todos os demais seres vivos, a razão. O que fez de Prometeu, na mitologia grega, o maior exemplo de complacência com a raça humana foi distribuir todos os dons aos animais e deixar para o homem a astúcia, a capacidade de empreender, inovar, inventar, criar. A criatura recebeu o dom maior que causaria inveja em qualquer outro ser, a capacidade de ser senhor de suas próprias escolhas, de avaliar o que deve ou não deve fazer, de escolher ser mau ou ser bom, dentro da defesa de seus interesses. Ao excluir a maior singularidade existente entre todas as criaturas, temos algo que não é sequer considerado homem por muitos. Temos o sem razão, sem conhecimento, sem capacidade de empreender, de gerenciar a própria finalidade pela qual foi criado, temos o louco.
E ao mergulhar na ausência de singularidade do louco, maravilhamo-nos com o ineditismo, com a imprevisibilidade de condutas, chegamos portanto à algo que não é humano, que não segue regras impostas pelo desejo da maioria ou por seus próprios gostos e prazeres, temos um ser que "é" ou "está", com ele mesmo e sem ele, do nada e com o nada, um produto concreto de suas imaginações turvas, desejos infantis e maduros de satisfazer o próximo e a si mesmo e entrar em conflito com esses dilemas que se trava no íntimo e efêmero repousar de sua cabeça no travesseiro.


Pedro Bragança

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

27 de agosto de 2015

Querida mô,

Eu gostaria muito de escrever algo que fosse só nosso, algo que seja tão místico que as letras se embaralhassem a cada leitura, dessa forma surgiriam novas palavras, novas frases, quem sabe às vezes até palavras que nenhum idioma existente ou que já existiu sobre este planeta poderia traduzir, no caso em tela o tradutor seria seu coração. Toda vez que você parasse para ler esse “algo”, essa carta, apelo ou desabafo, chame como achar melhor, nossos corpos estariam se comunicando, como se o clamor de um pelo outro fosse ouvido em qualquer lugar, onde quer que esteja essa carta seria tão mágica quanto nosso amor. Poderíamos pregá-la nos postes pela rua e publicá-la no jornal da cidade, assim todos que estiverem na mesma situação iriam comungar da mesma magia, o único requisito para conseguir ler e interpretar essa carta é estar morrendo de amor.
Inspira, fecha os olhos, solta devagar, concentra na respiração.  Não amor, eu não estou treinando a minha paciência como você me ensinou contando até mil, dez mil... Esse é o mantra do elefante indiano, mas já parei, não está sendo tão eficaz. Já procurei na medicina alternativa também e não encontrei uma cura. Dito isto, não vou nem perder meu precioso tempo de solidão pesquisando um método cientificamente comprovado para me curar dessa “coisa”, pois sei que também será uma busca frustrada e, portanto, ineficaz. Afinal de contas, que efeitos teriam esses procedimentos se sofro de saudade?! É um vazio aqui dentro, uma dor que não some com mantras indianos ou técnicas de ioga, se fosse um câncer eu sei que teria chance, mas não é. É um vazio, e vazio se cura preenchendo. É como se longe de você minha alma estivesse em um estado de vacância, esperando sua volta, o reencontro, o sorriso, o beijo, seu beijo.
O vazio da saudade deve ser preenchido com presença, mas não é tão simples, queria eu que fosse, deve ser preenchido com a sua presença. Deixe-me explicar da forma que eu melhor sei fazer, falando coisas sem pé nem cabeça, se eu não for feliz na explicação que você dê pelo menos um sorrisinho daqueles que iluminam meu mundo. Quando estou com fome, não me serve um copo d’água, da mesma forma se o que me incomoda é a sede, parece-me razoável que ela seja assassinada com um copo extremamente cheio de água potável, ou quem sabe uma limonada, mas não um pedaço de pão, por mais que este pão esteja recheado com o mais cremoso requeijão forjado nas montanhas de Minas, pelas mãos do melhor artesão. Tenho sede de você! Já sei, já sei que falta de bom senso a minha! Comparar a sua presença com um pedaço de pão com requeijão, tenho mestrado na falta de bom senso. Talvez eu piore as coisas, mas devo tentar explicar-me, eu amo pão com requeijão, te amo mais, devo me redimir.
Amor, só você tem o poder de me curar desse abismo escuro e frio chamado saudade. Sem sombra de dúvidas, você é mais eficaz que um mantra indiano quando o objetivo é libertar meu consciente e subconsciente, suprimir meus medos e povoar-me com bons pensamentos. Seu cheiro, seu toque e seus beijos formam uma combinação mais curativa que qualquer chá catalogado pela medicina alternativa ou indígena. Quanto aos medicamentos e demais drogas da indústria farmacêutica, ao pronunciar-me vou ser um namorado clichê: só de ouvir a sua voz eu já me sinto bem.
Er... eer... ér... bem, mas ainda sinto saudade, e ai, como faz? Devo largar a caneta aqui e agora, pegar a estrada nesse instante como um inconsequente, chegar à sua casa, tocar o interfone de número 1, escutar sua voz, que é doce mesmo com o som robótico de interfone, ai seria minha vez de dizer “pizza”, você responderia que não pediu pizza, a partir daí cairíamos em gargalhadas cada um de um lado da linha, em seguida o portão se abriria. Veja bem amor, com você a felicidade começa antes mesmo do contato visual. Talvez eu deva ligar, só que não, já fiz isso hoje, primeiro que não quero ser um “grude”, segundo que não funcionou muito, matamos a saudade, ou enganamo-la, ou ela nos enganou, não sei ao certo, só sei que ao desligar ela voltou com tudo. Escrever pra você costuma iluminar um pouco essa escuridão aqui dentro de mim. Sim, a saudade é um abismo escuro e frio, parece ser infinito dentro de nós, e quando te escrevo fico imaginando seu sorriso ao ler, e cada flash de imagem sua na minha mente é uma estrela que se acende no meu universo interior. Já disse Raul: “cada um de nós um universo.” No meu universo você é luz, na minha vida física sua presença é amor. Estou com saudade nesse instante, mas estou te imaginando sorrir e as estrelas estão se acendendo, podem ser vistas dentro dos meus olhos, que por sua vez, brilham muito quando penso em você.
Beijo do seu, num um pouco beiçudo, moreno de não se jogar fora kkkk, Pedro.


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Auto flagelação


A dor imensurável da triste indecisão
De buscar em si a cura para o que te tormenta
Ser remédio para algo que o iluda, sim.
Mas ser motivo daquilo que te contenta
Buscar em si a cura de um severo pensamento
Exigir resposta para tudo a sua volta
Sem saber se enxerga e sente as coisas e o tempo
Num mundo metafísico procura algo palpável
Parece-me algo distante e sem fruição
Pois gozar de algo que não enxerga é loucura - risos -
Àqueles que usam os olhos e não o coração
Punir, punir e outra vez punir.
Essa é a essência do ser humano
Punir o igual, punir o desigual, se punir
Posso estar falando besteiras, baboseiras
Mas enxergo que o humano carece de perdão
Assim como o punir é nossa essência
A lembrança dos erros passados
São pesos e algemas nas mãos
Uma mão imobilizada pela falta de perdão
Perdoar a si como se fosse si mesmo
Buscar cura para o que te tormenta
Primeiro passo para amenizar a dor da indecisão
Homem que não erra não é humano
O homem que não punir também não.
Humano também não é aquele de tudo tem certeza
Porque duvidar do não se enxerga
Faz parte de uma antiga fraqueza
De um ser que puni a si e aos outros
Camuflado num véu de nobreza.


Pedro Bragança

domingo, 29 de março de 2015

Sorrisos

Sorrisos fartos

Só risos ao me lembrar de você

Cochichando em meu ouvido

Ouvindo meus planos e sonhos

Ou vindo em minha direção a me abraçar

Quem diz que serei infeliz mente, mentem.

Você me tem todos os dias, sorrindo

E a cada dia de uma forma diferente

Quantos serão influenciados por este verso?

Agora todos podem saber de nossos momentos (risos)

Das nossas cumplicidades

E com um pouco de imaginação

Viver nossas alegrias.

Você sorriu, eu vi, sempre vejo, vem

Faz de mim sorrisos, só.





Pedro Bragança

quinta-feira, 26 de março de 2015

Caminhar no desejo (com desejo)

Caminhar no desejo
Sentir com os dedos
Na sua pele macia
Mania minha de me perder
Nos caminhos do seu corpo
Caminhando no desejo (com desejo)
Com a palma das mãos eu posso ver (sentir)
Acariciando sua face,
Sentindo seu beijo,
Sentindo os fios dourados do se cabelo
Escapando por entre os dedos
Quão feliz eu seria 
Se com os lábios pudesse percorrer
Toda extensão na linha do horizonte
Que se forma entre seus ombros
Hei de me perder, com certeza.
E na incerteza, me encontrar
Com a melhor parte de mim. (sei que vou)
Esbarrei e me apaixonei,
Vou me policiar
E não me deixar levar pelo querer
Caminhar no desejo
Parece-me bom até demais
Mas tem lá seus riscos.

Pedro Bragança

domingo, 8 de março de 2015

Uma carta aos homens


Não há temor pra quem sabe amar. Talvez a mulher tenha sido criada para acabar com o medo que existe no mundo. Daquela costela de Adão foi retirado o amor. Mulher é amor! O mundo era maçante, imagino eu que Adão se via em um mundo recém criado, clima perfeito, sem poluição, sem chuvas ácidas, sem aquecimento global, sem pecado. Tudo aparentemente perfeito, porém sem amor, sem uma companhia. Impossível amar sozinho, até porque o amor exige mesmo essa troca para existir. Quantos de nós sobreviveríamos sem uma agradável mulher ao lado?
Nosso antepassado reclamou, Deus atendeu, fez a mulher, ditou as regras e eles desobedeceram. Homem e mulher, juntos sofreram as conseqüências, e sofrem juntos até hoje, mas veja bem, no fim, comer o fruto proibido não me parece ter sido algo tão ruim. Agora é preciso trabalhar, tudo bem, mas o trabalho dignifica o homem, não é mesmo?! E, além disso, mente vazia é oficina do diabo, portanto, insisto em não afirmar com tanta certeza, talvez desobedecer e comer do fruto proibido tenha aproximado o homem de Deus de forma indireta, ou na pior das hipóteses afastado o diabo de nossas mentes.
A mulher irá sofrer as dores do parto, tudo bem, ta aí uma coisa que não deve ser nada bom, mas se não fosse isso, talvez nem tivéssemos nascido, não existiria amor de mãe, esse  sentimento incondicional. Olha aí a mulher trazendo amor ao mundo. Quisesse eu que nós homens amassemos nossos filhos como amamos nossas mulheres, quisera que nos apaixonássemos por eles como as mulheres o fazem. Conheço mulheres que já amam seus filhos antes mesmo de saber se poderão ou não ter filhos (não é mesmo Patrícia?). Mulher é realmente um ser fantástico.
O cheiro , o tom da voz, o modo de olhar, a forma como joga os cabelos, o modo de andar, o humor incerto, a provocação certa, a teimosia e a forma como nos tira do sério. São características que proporcionam a mulher uma superioridade e um controle sobre nós homens. Moleza para elas assistir um jogo de futebol ao nosso lado, pegar uma cervejinha na geladeira, preparar um tira gosto e ainda torcer pro time contrário ao nosso. Agora vai lá ver se um de nós consegue assistir pelo menos meio capítulo da novela preferida dela, encher duas taças daquele melhor vinho que temos, preparar frutos do mar e fingir estarmos interessados na novela enquanto fazemos uma massagem nos pés dela. É um sacrifício, mas elas fazem parecer tão simples, às vezes passam a impressão de que até estão gostando do jogo, outras vezes parecem expert do assunto, tirando a parte que torcem pelo juiz fazer gol. Mulheres são mesmo incríveis!
Mesmo brava é linda, sabe o que falar pra nos deixar completamente apaixonados. Pior, sabe o que não falar e provocar um efeito dez vezes maior. Fico me perguntando quem ensina isso a elas. Existe uma escola preparatória pra aprender esses paranauê ai de mexer com nosso coração? Sou completamente contra quando na infância um menino chama o colega de mulherzinha só por ter um lápis de cor clara, porque está demorando a engrossar a voz ou a crescer pelos. Primeiro que não existe mulherzinha isso faz parecer que mulheres ao seres pequenos, sou contra. Segundo que ser mulher, nessa pouca experiência de observação feminina, me parece ser algo muito mais complexo. Gostaria de entrevistar uma mulher em alguma oportunidade pra saber onde ela aprendeu a ser assim, mas com toda a humildade, sei que ela responderia algo parecido com “não sei, nasci assim”.
Sexo frágil...Pufff... aham, vai pensando que é sexo frágil. Mulher é de natureza guerreira, mulher também levanta cedo, faz o café (mesmo que não vá tomar, ela vai lá e faz), prepara a mesa, se arruma, vai trabalhar. A mulher brasileira então... Mulher se apaixona, mas espera aí, nós homens também. Mas a diferença é que ela consegue ignorar, não correr atrás, fazer seus charmes de mulher e fazer com que o felizardo fique cada vez mais ligado nela. Agora vai um de nós tentar fazer o mesmo, eu já posso adiantar que tentei, e aqui estou eu escrevendo sobre elas....
Nascemos de uma mulher e passamos a vida procurando uma com quem estar quando chegar a hora de partir dessa pra melhor. Eu digo o porque, não deve ser nada fácil morrer e a ultima cena que levamos dessa vida é a imagem de um ser robusto, com o rosto cheio de barba e cheiro masculino. Queremos levar daqui boas lembranças rsrs. Quando alcançamos o sucesso é porque temos do lado uma grande mulher. Já elas alcançam o sucesso apenas sendo grandes. Perto de vocês, meus amigos, eu me gabo sobre o quão bom é ser homem e principalmente agora que encontrei uma grande mulher realmente é maravilhoso. Mas a verdade é que ser mulher parece ser algo fantástico, e que nós homens só podemos valorizar e dizer a todo o momento o quanto somos gratos por elas existirem. Parabéns as mulheres pelo dia internacional e sucesso a nós homens que buscamos a todo instante uma mulher grande em nossas vidas.



Pedro Bragança